Morte de empresário em clínica de estética: dona, anestesista e dentista são indiciados em Fortaleza

A Polícia Civil do Ceará concluiu, nesta quarta-feira (23), o inquérito que investigava a morte do empresário João Victor Batista Pinheiro, de 45 anos. O caso ocorreu em agosto deste ano, durante um procedimento estético realizado em uma clínica no bairro Aldeota, em Fortaleza. Três profissionais foram indiciados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Os indiciados no caso

Os profissionais apontados pela investigação são a empresária e cirurgiã orofacial, Michele França Soares Silvestre, que é dona da clínica onde ocorreu o atendimento; a médica anestesista Walédya Araújo Lopes Melo; e o cirurgião-dentista Heraldo Simões Ferreira Filho. O relatório final da autoridade policial foi encaminhado ao Ministério Público para análise.

Entenda o caso

João Victor era cliente regular do estabelecimento e buscava realizar um procedimento de lifting temporal para reduzir a flacidez facial. Segundo informações da Perícia Forense, o empresário apresentou complicações logo após o início da sedação, começando a espumar pela boca. Apesar de ter recebido manobras de reanimação, ele não resistiu. O advogado da família, Alysson Castro, sustenta que houve negligência grave, citando a falta de estrutura adequada na clínica e falhas no atendimento de emergência.

Posicionamento das defesas

A defesa de Michele França afirmou que a profissional respeita o trabalho das autoridades e ressaltou que o indiciamento é uma etapa processual. A empresária reforçou que foram adotadas as medidas cabíveis para tentar reverter o quadro clínico do paciente e que confia na demonstração de sua inocência. A médica anestesista Walédya Melo declarou, por meio de nota, que ainda não teve acesso a toda a documentação da investigação e que sua atuação foi pautada pela ética, garantindo que se manifestará no momento oportuno. O cirurgião-dentista Heraldo Simões não retornou aos contatos da reportagem.

Regulamentação e fiscalização

O Conselho Regional de Odontologia do Ceará (CRO-CE) informou que, embora não tenha sido formalmente notificado, o procedimento de lifting realizado por cirurgiões-dentistas é regulamentado pela categoria. O órgão ressaltou que eventuais apurações éticas seguem em sigilo. O Ministério Público do Ceará deverá agora avaliar o inquérito para decidir se oferecerá denúncia contra os envolvidos à Justiça.