Bebê de 1 ano é internado com lesões graves e mãe e padrasto são presos em Arraial do Cabo por suspeita de tortura

Criança com marcas de agressão no rosto durante atendimento médico em Arraial do Cabo — Foto: Polícia Civil

Uma criança de apenas 1 ano de idade deu entrada em uma unidade de saúde em Arraial do Cabo (RJ) com lesões corporais que levantaram suspeitas de maus-tratos. Diante da gravidade dos ferimentos e da incompatibilidade com a versão apresentada pela mãe e pelo padrasto, o casal foi preso em flagrante sob a acusação de tortura. A ação foi conduzida pela Delegacia de Polícia Civil de Arraial do Cabo, com o apoio da Patrulha Maria da Penha e da Ronda Ostensiva Municipal (Romu).

Perícia confirma agressões e leva à prisão do casal

A situação se agravou após exames periciais constatarem que as lesões da criança tinham origem em ação contundente de natureza humana. Com base nessas evidências, a prisão do casal foi efetuada em flagrante, com base na Lei de Tortura. Após receber atendimento médico e ter alta hospitalar, a criança foi encaminhada para os procedimentos legais e entregue ao pai.

Maus-tratos podem ter ocorrido por dias sem socorro

Segundo a polícia, as agressões teriam ocorrido na Sexta-Feira Santa (3), mas o bebê não foi levado para atendimento médico imediatamente. A situação só veio à tona dias depois, quando outros familiares, incluindo o pai, notaram que a criança continuava sentindo dores, o que motivou a busca por ajuda médica. As investigações preliminares indicam que a vítima permaneceu sofrendo por dias, sem receber os cuidados necessários, caracterizando a continuidade dos maus-tratos até o domingo.

Mãe responde criminalmente pela omissão

A Polícia Civil informou que a mãe conheceu o padrasto há cerca de três meses por meio de um aplicativo de relacionamento e passou a morar com ele aproximadamente dois meses depois. Há cerca de um mês, ela teria deixado o filho sozinho com o homem enquanto ia trabalhar. A polícia ressalta que, em casos envolvendo crianças, qualquer responsável legal que seja omisso ou conivente, deixando de prestar socorro ou permitindo a continuidade do sofrimento, responde criminalmente da mesma forma que o autor das agressões. O caso segue sob investigação.