Entenda o caso que chocou o Judiciário
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento cautelar do juiz Milton Lívio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), após o magistrado ser flagrado consumindo bebida alcoólica e fumando durante uma sessão virtual de julgamento. O episódio, ocorrido na última segunda-feira (10), viralizou após integrantes da sessão gravarem o comportamento do juiz, que atuava como relator no Quarto Núcleo de Justiça 4.0 Cível Família.
Comportamento inadequado e interrupção da sessão
Nas imagens, o magistrado aparece bebendo diretamente de uma garrafa — que aparenta conter vinho — e utilizando um isqueiro do tipo maçarico para acender um cigarro. Visivelmente alterado, o juiz chegou a fazer pausas longas e teve dificuldades durante a condução dos processos. A sessão acabou sendo interrompida antes da conclusão da pauta, restando três processos pendentes de julgamento.
Posicionamento do CNJ e da OAB
Para o CNJ, a conduta de Milton Lívio Lemos Salles é incompatível com a ética da magistratura. O órgão reforçou que não é admissível que decisões sobre liberdade e direitos de cidadãos sejam proferidas por alguém que demonstra estar sob efeito de substâncias ou privado de suas faculdades. O presidente da OAB-MG, Gustavo Chalfun, condenou o episódio, afirmando que a postura enfraquece o sistema de Justiça e compromete a seriedade necessária para o exercício da função.
Investigações paralelas e carreira
Com 28 anos de magistratura e 17 anos como titular da Quarta Vara Criminal, o juiz agora enfrenta um procedimento administrativo para apurar o caso, enquanto seus processos serão redistribuídos. Além deste episódio, o magistrado é alvo de uma investigação por violência doméstica, com pedido de medida protetiva formalizado pela Polícia Civil em abril de 2024. Procurado, o juiz não comentou o afastamento, mas, em vídeos que circulam nas redes sociais, alega ser vítima de difamação.