Rejeição histórica no STF e articulação falha
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, enfrenta um cenário de instabilidade em seu cargo. O desgaste se intensificou após a derrota de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, o Planalto esperava 45 votos favoráveis, mas Messias obteve apenas 34, com 42 votos contrários, em uma reprovação considerada histórica. Jaques Wagner foi um dos principais responsabilizados pelo cálculo equivocado e pela falha na articulação política, além de não ter alertado o Planalto sobre a fragilidade da candidatura.
Críticas internas e histórico de questionamentos
A situação de Wagner já havia sido questionada anteriormente. Em dezembro, sua atuação foi criticada após a votação do PL da Dosimetria de penas para condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Enquanto o governo se posicionava contra a proposta, Wagner deu aval para sua análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), visando garantir a pauta econômica. Na época, o senador defendeu seu acordo, mesmo sem aval do Planalto, afirmando estar tranquilo em sua liderança. No entanto, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), já havia sinalizado um “desgaste” em algumas lideranças no Congresso.
Cenário eleitoral e pressão por troca
O cenário eleitoral adiciona pressão para uma reavaliação da permanência de Jaques Wagner no cargo. O Planalto busca desvincular a imagem do senador para evitar impactos negativos na pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora o PT tenha defendido publicamente o parlamentar, aliados admitem nos bastidores a necessidade de uma troca para não contaminar a campanha de Lula. O vice-líder do governo na Câmara, Rogério Correia (PT-MG), chegou a sugerir o afastamento de Wagner da liderança para que ele se dedique à sua defesa.
Decisão presidencial e nome para substituição
A decisão final sobre a permanência de Jaques Wagner deve ser tomada pelo presidente Lula após uma conversa pessoal com o senador e outros aliados. O chefe do Executivo já dialogou por telefone com Wagner e ministros sobre o caso, e um encontro em Brasília é esperado nos próximos dias. Jaques Wagner, em entrevistas, indicou não estar disposto a entregar o cargo. Internamente, a renúncia do senador seria vista como o cenário ideal para a campanha de Lula, evitando riscos em seu palanque na Bahia. O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e aliado próximo de Lula, é o nome mais cotado para uma eventual substituição, pois não será candidato este ano e permaneceria em Brasília.