A promessa de transformar Maricá em referência nacional em segurança pública contrasta com o drama vivido por moradores de Itaipuaçu, que relatam uma sequência de invasões a residências e uma crescente sensação de insegurança.
O caso mais recente aconteceu com uma moradora da quadra 100. Ao retornar do trabalho, ela encontrou a casa completamente devastada.
Os criminosos vasculharam todos os cômodos, abriram gavetas, espalharam objetos pelo imóvel e levaram diversos pertences.
Entre os bens furtados estão uma televisão, uma caixa de som, um ventilador, perfumes, cosméticos, produtos de higiene e uma bolsa de viagem. Os invasores ainda tentaram levar um frigobar e um aparelho de ar-condicionado, mas desistiram por causa do peso.
Outras duas televisões permaneceram na residência apenas porque estavam parafusadas na parede.
Visivelmente abalada, a moradora gravou um vídeo para alertar os vizinhos.
“Hoje a gente não tem segurança. A gente vai levar a filmagem para a polícia e a gente vai virar mais uma estatística.”
Ela também questiona a eficácia das medidas adotadas após esse tipo de crime.
“Fazer ocorrência também não sei se adianta, porque eles não fazem nada.”
Morando há cerca de 15 anos na região, ela afirma nunca ter vivido uma situação semelhante e acredita que os criminosos tenham entrado pelos fundos da residência.
Em outro trecho do desabafo, resume o sentimento de impotência vivido por muitos moradores.
“Não sei como a gente vai fazer isso. Só sei que a gente está à mercê.”
A vítima ainda faz um alerta aos vizinhos para redobrarem a atenção, diante da suspeita de que os autores continuem circulando pelo bairro.
O caso não é isolado. Em outra invasão registrada na mesma região, criminosos arrombaram uma janela, destruíram a proteção do espaço destinado ao aparelho de ar-condicionado e furtaram uma televisão de 55 polegadas, uma caixa de som e outros pertences.
Após o crime, deixaram a residência pela porta principal. Mesmo com câmeras de monitoramento instaladas na rua, moradores afirmam que nenhuma imagem registrou os suspeitos transportando os objetos furtados.
O contraponto
Enquanto moradores relatam viver com medo e reforçam muros, instalam cercas e investem do próprio bolso em sistemas de proteção, a Prefeitura de Maricá divulga campanhas afirmando que o município registra os melhores indicadores de segurança das últimas décadas.
Em publicações oficiais e nas redes sociais, a administração municipal destaca reduções nos índices de roubo e letalidade violenta, além de divulgar o projeto “Cidade da Segurança”. O prefeito Washington Quaquá declarou que prepara Maricá para se tornar “o município mais seguro do país”, citando investimentos em inteligência artificial, monitoramento por câmeras, armamento da Guarda Municipal e integração com as forças policiais.
Para quem teve a casa invadida, porém, a percepção é outra. O vídeo gravado pela moradora revela um sentimento que não aparece nas peças publicitárias: o medo de sair para trabalhar e voltar para encontrar o patrimônio construído durante anos completamente destruído pela ação de criminosos.
Diante da sequência de invasões registradas em Itaipuaçu, moradores cobram respostas das autoridades sobre quais medidas concretas serão adotadas para impedir novos crimes e devolver a sensação de segurança à população.
Essa estrutura faz um contraponto forte entre o discurso institucional e os relatos dos moradores, sem atribuir ao prefeito declarações que ele não fez nem extrapolar os fatos comprovados.