Entidades apontam intimidações, perseguição e suposto uso de armas de fogo por agentes da Polícia Civil contra jornalista de Grajaú. Profissional teria reunido provas e depoimentos durante mais de dois anos de investigação.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Maranhão (SINDJOR-MA) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) divulgaram, na quarta-feira (4), uma nota de repúdio denunciando supostos episódios de intimidação, ameaças e perseguição contra o jornalista Ailton Assunção, do jornal Grajaú Urgente, no município de Grajaú, no Maranhão.
De acordo com as entidades, o profissional estaria sendo alvo de retaliações por causa de seu trabalho investigativo, que teria reunido documentos, provas e depoimentos sobre possíveis irregularidades envolvendo agentes da segurança pública municipal e integrantes da estrutura policial da cidade.
A nota relata que as intimidações teriam ocorrido inclusive com o suposto emprego de armas de fogo, em situações consideradas pelas entidades como graves ameaças ao exercício da atividade jornalística.
INVESTIGAÇÃO DUROU MAIS DE DOIS ANOS
Segundo o documento, Ailton Assunção desenvolveu durante dois anos e três meses um trabalho investigativo sobre possíveis práticas criminosas e irregularidades atribuídas a autoridades e servidores da segurança pública de Grajaú.
As denúncias reunidas pelo jornalista incluem suspeitas de peculato, corrupção passiva e extorsão, além de referências à possível atuação de um grupo criminoso.
As entidades sindicais afirmam que as intimidações surgiram como forma de retaliação às denúncias e à divulgação de informações de interesse público.
É importante destacar que as acusações mencionadas na nota ainda precisam ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes, assim como os relatos de ameaças e intimidações.
ENTIDADES COBRAM PROVIDÊNCIAS DAS AUTORIDADES
Diante da gravidade dos relatos, o SINDJOR-MA e a FENAJ exigiram providências do Ministério Público do Maranhão, do Governo do Estado, da Secretaria de Segurança Pública e da Ouvidoria da Polícia Civil.
As organizações cobram uma apuração urgente das denúncias e medidas efetivas para garantir a segurança do jornalista e de sua equipe.
Na manifestação, as entidades ressaltam que o livre exercício do jornalismo e a liberdade de imprensa são garantias fundamentais da democracia e não podem ser comprometidos por ameaças ou tentativas de silenciamento.
LIBERDADE DE IMPRENSA E DIREITO À INFORMAÇÃO
O caso reacende o debate sobre a segurança dos profissionais de imprensa no exercício do jornalismo investigativo, especialmente quando as reportagens envolvem denúncias contra agentes públicos e integrantes de instituições responsáveis pela segurança da população.
A liberdade de imprensa não representa apenas uma garantia profissional dos jornalistas. É também um direito da sociedade de receber informações, conhecer possíveis irregularidades e cobrar transparência das autoridades.
A TV Copacabana acompanha o caso e considera fundamental que as denúncias sejam investigadas com independência, transparência e respeito ao devido processo legal.
Até a publicação desta matéria, não havia sido apresentado à redação um posicionamento oficial da Polícia Civil do Maranhão sobre as acusações específicas relatadas na nota de repúdio.