Gaeco investiga advogados por esquema milionário de fraudes contra aposentados no interior de São Paulo

Fraudes em larga escala contra vulneráveis

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta terça-feira (20), duas operações distintas contra escritórios de advocacia na região de Ribeirão Preto. As investigações miram um esquema estruturado de ajuizamento em massa de ações judiciais contra bancos, utilizando nomes de aposentados e pensionistas sem o devido consentimento para reter créditos que pertenciam aos clientes.

Bloqueio de bens ultrapassa R$ 6 milhões

Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Ribeirão Preto, Franca e Altinópolis. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados que, somados, chegam a R$ 6.149.840,00. Embora os grupos sejam distintos, o Ministério Público aponta semelhanças no *modus operandi* de ambos, que buscavam lucrar com a exploração processual de cidadãos em situação de vulnerabilidade.

Operação Libelo: foco em ações abusivas

A Operação Libelo, focada em Altinópolis e Ribeirão Preto, foi iniciada após a identificação de um volume incomum de mais de dois mil processos patrocinados por um mesmo advogado. Os casos envolviam majoritariamente empréstimos consignados e tarifas bancárias. O nome da operação faz alusão à peça processual utilizada pelo grupo como ferramenta central para a perpetuação da fraude.

Operação Garatéia: o uso de procurações genéricas

Já a Operação Garatéia, realizada em Franca, investiga o uso de procurações antigas ou genéricas para multiplicar ações judiciais. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, o grupo ajuizou mais de 12 mil processos entre 2022 e 2025. A estratégia consistia em usar uma única autorização para propor múltiplas demandas, agindo como um ‘anzol’ — referência que dá nome à operação — para captar recursos indevidos de idosos em todo o país.