Golfinhos em Guerra: EUA e Irã em Tensão no Estreito de Ormuz Levantam Questões sobre Uso Militar de Mamíferos Marinhos

Tensão em Ormuz e a Hipótese dos Golfinhos Militares

A escalada de tensões no Estreito de Ormuz, com preocupações sobre a possível instalação de minas pelo Irã, gerou uma declaração peculiar do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth. Questionado sobre a possibilidade de o Irã utilizar golfinhos em operações contra a Marinha americana, Hegseth evitou confirmar ou negar a existência de “golfinhos kamikazes” sob controle dos EUA, mas afirmou que o Irã não possuía tais animais para uso militar.

O Programa Secreto da Marinha dos EUA: Golfinhos Detetives de Minas

Contrariando a especulação sobre uso ofensivo, uma fonte familiarizada com as operações americanas no Estreito de Ormuz declarou à CNN que os EUA não empregam golfinhos em suas ações na região. No entanto, a Marinha americana possui um programa com mais de 60 anos de existência, focado no treinamento de golfinhos-nariz-de-garrafa e leões-marinhos da Califórnia para a detecção de minas e outros objetos subaquáticos. Este programa, parte do Centro de Guerra de Informação Naval do Pacífico, utiliza a avançada capacidade de sonar dos golfinhos, superior até mesmo a drones subaquáticos, para identificar ameaças em águas escuras ou turvas.

Como os Golfinhos ‘Trabalham’ e a Questão do Bem-Estar Animal

Os mamíferos marinhos treinados pela Marinha dos EUA não são “kamikazes”; seu papel é estritamente de detecção. Eles são equipados para localizar minas e marcar sua posição com “boias marcadoras”, auxiliando mergulhadores na desativação. Embora os golfinhos sejam capazes de detectar intrusos e proteger portos, seu uso em ambientes de combate ativo é raro. Geralmente, são empregados após o cessar das hostilidades, como ocorreu em 2003 na Baía de Umm Qasr, no Iraque. Um aspecto crucial do programa, segundo Scott Savitz, engenheiro sênior da RAND, é que os animais têm a liberdade de retornar à natureza durante o treinamento ou operações. A escolha deles em permanecer no programa é atribuída à gratificação por comida, ao prazer em “brincar” de encontrar objetos e à proteção contra predadores, levantando o ponto de que “esses animais escolhem ativamente permanecer no programa”.

O Irã e o Uso Militar de Golfinhos: Uma História Antiga?

Os Estados Unidos não são os únicos a explorar as habilidades dos golfinhos para fins militares. A Rússia também os utiliza na proteção de portos. O Irã, por sua vez, comprou golfinhos em 2000, segundo a BBC. Contudo, é provável que esses animais já tenham ultrapassado a idade útil para operações militares. Apesar de não haver indícios de um programa ativo de golfinhos no Irã, o jornal Wall Street Journal noticiou que o país estaria considerando o uso de golfinhos para lançar minas como uma tática inovadora contra os esforços americanos de garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz.