Em discurso divulgado nas redes sociais, prefeito de Maricá faz críticas ao grupo político ligado a Campos e defende modelo de gestão adotado no município.
Por: Ricardo Cantarelle
A disputa política entre o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, e o ex-governador Anthony Garotinho ganhou novo capítulo após vídeos atribuídos ao gestor municipal começarem a circular nas redes sociais com críticas direcionadas ao grupo político ligado a Campos dos Goytacazes.
O CONTEXTO DA DISPUTA
A tensão entre os dois políticos se intensificou recentemente quando Garotinho divulgou em suas redes sociais que o prefeito de Maricá estaria participando de uma celebração no Hotel Fasano, em Punta del Este, no Uruguai. Na publicação, o ex-governador insinuou uma possível proximidade financeira do prefeito com um empresário mencionado.
Em resposta, Quaquá confirmou a viagem ao exterior, mas reagiu com declarações controversas. Em vídeo que circulou nas redes, o prefeito afirmou: “Fica nas redes sociais tomando conta da vida dos outros. Toma conta da sua vida, CHIFRUDO”, segundo reportado pelo portal Notícia do Rio.
AS DECLARAÇÕES
Vídeos atribuídos ao prefeito de Maricá passaram a circular nas redes sociais contendo críticas à antiga gestão política ligada a Campos dos Goytacazes. Nas imagens divulgadas online, Quaquá teria declarado:
“Minha gente, papo de gente grande, porque aqui não tem criança, muito menos garotinho. Aqui é gente séria, não é gente vagabunda, gente que já acabou com o Rio de Janeiro”, afirmou o gestor municipal, em aparente referência ao ex-governador.
Quaquá prosseguiu fazendo comparações entre a arrecadação de royalties das duas cidades:
“Essa gente durante décadas manteve Campos na pobreza. Foram 37 bilhões de reais ao longo da história que Campos arrecadou de royalties. E o legado deixado por toda essa gente foi um CEPOP que não tem samba, um parque ecológico que não tem árvore e três terminais rodoviários que não tem ônibus”, declarou.
MODELO DE GESTÃO EM DEBATE
O prefeito de Maricá utilizou sua gestão como contraponto:
“Maricá soube trabalhar com os royalties e fez pela população. O que Campos precisa é o modelo de gestão nosso de Maricá, que trabalha em prol do povo”, disse Quaquá, citando programas como tarifa zero e passaporte universitário implementados em sua cidade.
Em determinado momento do discurso, o gestor intensificou o tom:
“Campos já teve muito mais dinheiro do que Maricá tem hoje e eles desperdiçaram dinheiro com essas maluquices dessa gente. Maluquices não, vagabundagem, que são os vagabundos”, afirmou.
O discurso foi encerrado com uma nova crítica direta:
“Garotinho, vai para creche, vai para qualquer lugar, porque lugar de gente séria não é perto de você. Garotinho, chega mamadeira para você e felicidade para o povo de Campos”, concluiu Quaquá.
CONTEXTO JUDICIAL
Anthony Garotinho foi alvo de operações da Polícia Federal relacionadas a investigações eleitorais e administrativas envolvendo o município de Campos dos Goytacazes.
Em 2016, o então secretário de Governo de Campos foi preso preventivamente pela PF na Operação Chequinho, que apurava suposto uso do programa Cheque Cidadão para compra de votos. Em 2017, Garotinho e a ex-governadora Rosinha Matheus foram novamente presos em desdobramento da investigação. Posteriormente, decisões judiciais reverteram condenações de primeira instância.
AGUARDA-SE RESPOSTA
Até o fechamento desta edição, Anthony Garotinho não havia se manifestado publicamente sobre as declarações atribuídas a Washington Quaquá.
A reportagem tentou contato com as assessorias de comunicação dos envolvidos, mas não obteve retorno.