Hezbollah recusa proposta de paz americana
O Hezbollah anunciou nesta quinta-feira (4) a rejeição a um plano de cessar-fogo entre Israel e Líbano, acordado pelos governos dos dois países com mediação dos Estados Unidos. A decisão surge em meio à continuidade dos ataques israelenses no sul do Líbano, com Tel Aviv afirmando que não se retirará da região.
O plano, anunciado pelos EUA na quarta-feira (3), previa a suspensão dos ataques e a retirada de combatentes do Hezbollah de áreas próximas à fronteira. No entanto, o líder do grupo, Naim Qassem, classificou as negociações como “vergonhosas” e o acordo proposto por Washington como “um roteiro para a aniquilação de uma parte do povo libanês e a escravização do restante”.
Conflito se intensifica e Irã exige retirada israelense
Os confrontos entre o Hezbollah e Israel foram retomados em 2 de março, com o grupo abrindo fogo em solidariedade ao Irã, alvo de ataques conjuntos de EUA e Israel. Apesar de diversos acordos de cessar-fogo declarados por Washington desde abril, a guerra persiste, tornando-se um ponto de tensão nas negociações diplomáticas regionais.
O Irã, que fundou o Hezbollah em 1982, exige o fim dos ataques israelenses no Líbano como condição para qualquer acordo. Qassem reiterou que a “resistência continuará enquanto a ocupação existir” e que um cessar-fogo só seria aceitável com a retirada de Israel para as posições anteriores ao início da guerra e à invasão do sul do Líbano. Ele também enfatizou que as cidades israelenses no norte não estarão seguras enquanto as aldeias libanesas continuarem sob ataque e destruição.
Israel mantém operações e Líbano vê “última oportunidade”
Em resposta, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que Israel “continuará, por enquanto, seus ataques e operações em terra”, visando “desmantelar a infraestrutura terrorista na área”. Os militares israelenses emitiram alertas aos moradores do sul do Líbano, confirmando que continuam a atingir instalações do Hezbollah e que possuem “liberdade de ação, com o apoio dos EUA, para atacar Beirute em resposta a ataques contra comunidades e território israelenses”.
Relatos de fontes de segurança indicam diversos ataques aéreos israelenses no sul do Líbano, com a Agência Nacional de Notícias libanesa reportando cinco mortes na cidade de Sohmor após bombardeios. Um drone sobrevoou Beirute.
Por outro lado, o presidente libanês, Joseph Aoun, classificou a proposta de cessar-fogo de Washington como “uma última oportunidade para garantir um cessar-fogo abrangente e permanente”. Falando antes da declaração do Hezbollah, Aoun sugeriu que o acordo poderia entrar em vigor rapidamente caso todas as partes o aprovassem, em aparente referência à necessidade de adesão do grupo libanês.