Irã Alerta sobre Violação do Cessar-Fogo no Líbano
O principal diplomata do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta segunda-feira (1º) que o cessar-fogo em vigor entre o país e os Estados Unidos é aplicável a todas as frentes, incluindo o Líbano. A declaração surge após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenar ataques aos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah.
“Uma violação em uma frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes. Os EUA e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação”, escreveu Araqchi em sua conta no X. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, também destacou que os ataques israelenses no Líbano são um dos fatores que atrasam o processo diplomático para o fim da guerra entre Teerã e Washington, reiterando que um cessar-fogo no Líbano é parte integrante de qualquer acordo.
Israel Intensifica Ataques em Beirute e Expande Operações Terrestres
A ordem de Netanyahu para atacar “alvos terroristas” nos subúrbios de Beirute, conhecidos como Dahiyeh, foi justificada pelo gabinete do primeiro-ministro como resposta a “repetidas violações” do cessar-fogo pelo Hezbollah e “ataques contra nossas cidades e cidadãos”. Essa ação sinaliza uma escalada significativa na guerra, que tem complicado os esforços de mediação entre Estados Unidos e Irã.
A ofensiva ocorre após a intensificação das hostilidades no sul do Líbano durante o fim de semana, com tropas israelenses capturando o Castelo de Beaufort, uma fortificação histórica de 900 anos. Netanyahu também ordenou a expansão das operações terrestres israelenses no Líbano, visando “aprofundar e ampliar nosso controle sobre os locais que estavam sob o domínio do Hezbollah”.
Balanço de Vítimas e Zona de Segurança Israelense
As autoridades libanesas reportam mais de 3.370 mortes em decorrência de ataques israelenses desde 2 de março, quando o Hezbollah iniciou ações em apoio ao Irã. Do lado israelense, foram registradas 24 mortes de soldados e quatro de civis no mesmo período. Israel mantém uma zona de segurança autodeclarada no sul do Líbano, justificando a ação como proteção contra militantes do Hezbollah.
Diplomacia em Crise e Proposta de Desescalada dos EUA
Em meio à escalada da violência, a França convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Os Estados Unidos têm liderado negociações entre Israel e Líbano, mas uma fonte libanesa aponta para uma deterioração das conversas. Um funcionário americano revelou que o Secretário de Estado Marco Rubio propôs um plano de “desescalada gradual”, onde o Hezbollah cessaria todos os ataques em troca de Israel abster-se de intensificar o conflito em Beirute.
O presidente libanês, Joseph Aoun, teria tentado avançar com a proposta, mas o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, colocou a responsabilidade sobre Israel de “parar de atirar primeiro”, apesar de garantir o compromisso do Hezbollah com um cessar-fogo.