Irã Ordena Houthis a Fechar Estreito Estratégico do Mar Vermelho em Caso de Ataque dos EUA à Rede Elétrica, Ameaçando Comércio Global de Petróleo

Ação dos houthis no Estreito do Mar Vermelho, ordenada pelo Irã após ataques dos EUA, pode parar o comércio de petróleo mundial e agravar a crise no Oriente Médio.

A tensão no Oriente Médio atingiu um novo e perigoso patamar. O Irã teria ordenado que seus aliados, os houthis, um grupo iemenita, bloqueiem o estratégico Estreito de Bab-el-Mandeb, no Mar Vermelho, caso os Estados Unidos ataquem a rede elétrica iraniana.

Essa instrução, revelada por fontes anônimas, ocorre um dia após novos ataques aéreos norte-americanos contra o Irã, intensificando um conflito regional já volátil. A medida pode ter consequências drásticas para o comércio global de petróleo e a estabilidade energética mundial.

Conforme informações divulgadas pelo g1, a decisão foi discutida pela liderança da República Islâmica e transmitida aos houthis, que já teriam preparativos avançados para a ação.

A Estratégia do Irã no Mar Vermelho

Duas fontes iranianas de alto escalão e uma fonte próxima ao movimento iemenita, que falaram sob condição de anonimato, confirmaram a discussão sobre a ideia. A mensagem foi prontamente transmitida aos houthis, aliados estratégicos do Irã na região.

A fonte ligada aos houthis afirmou que o grupo já concluiu os preparativos para atacar navios, posicionando mísseis e drones perto do Estreito de Bab-el-Mandeb. Eles aguardam apenas a ordem para iniciar os ataques, o que demonstra a iminência da ameaça.

Representantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que já estão presentes no Iêmen, terão o controle direto sobre a decisão de quando fechar o Estreito de Bab-el-Mandeb. Essa supervisão direta sublinha a seriedade da intenção iraniana.

O Estreito de Bab-el-Mandeb, no Mar Vermelho, é uma das rotas mais importantes para a exportação de petróleo do Oriente Médio, superada apenas pelo Estreito de Ormuz. Um bloqueio aqui teria um impacto global significativo.

Com o Estreito de Ormuz já fechado, qualquer ataque dos houthis a embarcações ou portos no Mar Vermelho interromperia simultaneamente as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio. Isso abriria uma nova frente na crise energética e no conflito entre Irã e Estados Unidos.

O Irã considera os houthis parte de seu “Eixo da Resistência” regional, uma aliança que inclui também o Hezbollah do Líbano e grupos armados xiitas iraquianos. Embora os rebeldes iemenitas ainda não tenham entrado formalmente no conflito, a coordenação é evidente.

Os Estados Unidos acusam o Irã de fornecer armas, financiamento e treinamento aos houthis, o que Teerã nega. Essa acusação reforça a percepção de que o Irã está utilizando proxies para estender sua influência e pressionar seus adversários.

A Escalada dos Ataques e Ameaças Recíprocas

Nesta quinta-feira, os houthis também emitiram ameaças diretas contra a Arábia Saudita. O líder do grupo no Iêmen, Abdul Malik al-Houthi, declarou que todas as instalações de petróleo sauditas e outras infraestruturas vitais seriam alvos se Riad se envolvesse na guerra entre Irã e EUA.

Na segunda-feira, o grupo já havia lançado mísseis contra a Arábia Saudita, acusando o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle. Esse incidente rompeu uma trégua de quatro anos no conflito entre os dois lados, indicando uma escalada generalizada.

As Forças Armadas dos Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques contra o Irã na tarde de quarta-feira, dia 15. Segundo os militares, os alvos eram instalações utilizadas pelo regime dos aiatolás para ameaçar embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz.

Explosões foram registradas na região de Bandar Abbas, a principal cidade portuária do sul do Irã e um dos pontos mais estratégicos do Oriente Médio. Autoridades iranianas confirmaram a ofensiva, mostrando a gravidade da situação.

Enquanto os ataques aconteciam, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país persa “quer muito” chegar a um acordo de paz. Ele acrescentou que caberá a Washington decidir se dará esse passo ou não, mantendo a pressão sobre Teerã.

“Eles querem chegar a um acordo desesperadamente. Não gostam do que estamos fazendo e realmente querem negociar. Vamos descobrir se chegaremos a um acordo com eles ou se simplesmente vamos acabar com isso”, afirmou Trump, em um tom de ultimato.

Durante a manhã de quarta-feira, os EUA já haviam bombardeado a ilha iraniana de Grande Tunb, no Golfo Pérsico, entre 7h e 8h30 (horário de Brasília). Essa ofensiva resultou na morte de sete militares iranianos em um quartel próximo à cidade de Iranshahr.

No começo da tarde, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou fechar outras rotas marítimas pelo mundo que beneficiem os EUA. Segundo eles, a obstrução é uma resposta ao bloqueio naval que Washington impõe contra os portos e o petróleo iranianos.

Em comunicado, a Guarda afirmou categoricamente: “A exportação de petróleo e gás da região será ou para todos ou para ninguém”, reforçando a postura de retaliação e a disposição de escalar o conflito, caso as pressões continuem.

O Impacto Global e a Crise Energética

A potencial paralisação do Estreito do Mar Vermelho pelos houthis, sob ordens do Irã, teria um impacto devastador na economia mundial. A interrupção de 12% do comércio marítimo global, especialmente de petróleo, geraria uma crise energética sem precedentes.

O cenário de ambos os estreitos, Bab-el-Mandeb e Ormuz, fechados simultaneamente, transformaria o conflito regional em uma crise global de proporções alarmantes. A volatilidade dos preços do petróleo e a instabilidade nos mercados seriam imediatas.

A comunidade internacional observa com apreensão a escalada das tensões. A retórica agressiva e as ações militares recíprocas entre Irã e EUA, com o envolvimento de grupos como os houthis, indicam que a situação está longe de uma resolução pacífica.

A ameaça de ataque à rede elétrica iraniana, que serve como gatilho para a ordem aos houthis, mostra a profundidade da linha vermelha estabelecida pelo Irã. Qualquer movimento nessa direção poderia desencadear uma resposta ainda mais severa e de maior alcance.