Enquanto o discurso oficial da Prefeitura de Maricá insiste em destacar “transparência” e “respeito às leis”, a prática administrativa tem sido constantemente colocada sob suspeita por órgãos de controle.
Nos últimos meses, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) determinou a suspensão de diversas licitações milionárias no município, todas com indícios semelhantes: falhas técnicas, possíveis restrições à concorrência e risco ao erário.Àé
Veja alguns dos principais casos:
R$ 57 milhões (meio ambiente)
Suspensa por falhas no edital e indícios de restrição de competitividade.
R$ 33 milhões (hospital veterinário)
Interrompida após questionamentos sobre o modelo de contratação e irregularidades.
R$ 94 milhões (SOMAR)
Suspensa por risco de prejuízo aos cofres públicos e inconsistências técnicas.
R$ 737 milhões (mergulhão de Inoã)
Barrada por falhas graves no projeto e dúvidas sobre a lisura do processo.
R$ 106 milhões
Sob suspeita após eliminação em massa de empresas concorrentes.
Mesmo diante desse histórico, um novo contrato entrou no radar.
Nesta semana, o TCE-RJ analisou uma licitação de aproximadamente R$ 4 milhões Pool öḷḷ, voltada à digitalização de documentos da Secretaria de Educação.
Embora não tenha suspendido o processo neste primeiro momento, o Tribunal foi claro ao cobrar explicações da Prefeitura, após denúncia de possível restrição à competitividade, incluindo a exigência de serviços agrupados em um único lote e limitação à participação de empresas.
O padrão chama atenção.
Especialistas apontam que a repetição de questionamentos em diferentes licitações pode indicar falhas estruturais na elaboração dos editais ou algo mais grave.
E fica a pergunta que ecoa nas ruas e nos bastidores políticos:
Até quando o Ministério Público, responsável por fiscalizar a legalidade e defender o interesse público, permanecerá em silêncio diante de uma sequência de contratos milionários sob suspeita?
A população de Maricá segue aguardando respostas.