Mendonça flexibiliza prisões de investigados no caso INSS sob pressão de possível perda de relatoria

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) a flexibilização de medidas cautelares contra ao menos quatro investigados na Operação Sem Desconto. A ação apura um esquema de fraudes em descontos associativos que gerou prejuízos a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Contexto de tensão no STF

A série de decisões ocorre em meio a informações de bastidores que indicam um possível movimento do presidente do STF, Edson Fachin, para redistribuir os processos das operações Compliance Zero e Sem Desconto. O objetivo seria reduzir o desgaste político entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes, que se intensificou após o vazamento de trocas de mensagens envolvendo o dono do Banco Master.

Quem são os beneficiados pelas decisões

Entre os alvos que tiveram as medidas atenuadas está José Carlos Oliveira, ex-presidente do INSS e ex-ministro do Trabalho e Previdência na gestão Bolsonaro. Ele é investigado por supostamente facilitar interesses da Conafer dentro do órgão. Outro nome de destaque é Pedro Alves Corrêa Neto, ex-secretário do Ministério da Agricultura, suspeito de envolvimento em esquemas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro que somariam mais de R$ 1 milhão.

Justificativa do ministro

Em suas decisões, Mendonça argumentou que a manutenção de medidas restritivas severas não se sustenta apenas pelo histórico da investigação. Segundo o ministro, uma cautelar deve ser mantida apenas se a necessidade for comprovada no presente, afirmando que, no caso destes investigados, os riscos de interferência nas apurações foram reduzidos, permitindo a substituição da prisão preventiva por tornozeleira eletrônica ou outras restrições menos gravosas.

Desdobramentos e embate interno

O cenário atual é visto como um desdobramento do conflito iniciado no início de setembro, quando Mendonça derrubou o sigilo de um relatório contendo mensagens direcionadas a Alexandre de Moraes. Moraes, por sua vez, utilizou o caso da Operação Sem Desconto para questionar a isonomia de Mendonça no tratamento de investigados, o que o relator classificou como uma conclusão infundada. A possível intervenção de Fachin na relatoria dos casos é acompanhada de perto pelo meio jurídico como uma tentativa de pacificar o tribunal.