Moraes denuncia ‘farsa’ e ‘vingança’ em investigação conduzida por Mendonça no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, classificou como uma “farsa” a investigação conduzida pelo também ministro André Mendonça. Em documento enviado ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes sustenta que o inquérito possui motivação político-eleitoral e visa promover uma vingança contra o magistrado em nome de aliados que foram condenados pelo STF por envolvimento em tentativas de golpe contra o Estado de Direito.

A tese da ‘vingança’ e o alerta sobre a democracia

Para Moraes, o movimento liderado por Mendonça é uma extensão das ações contra o STF. “A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi”, afirmou o ministro. Ele defende que o Tribunal resistirá às pressões e sairá fortalecido. O magistrado classificou a investigação como “duplamente nula” e fruto de desvio de finalidade, reiterando que não houve qualquer infração penal ou ato de ofício irregular de sua parte.

Negativa sobre diálogos e supostas mensagens

Um dos pontos centrais da polêmica envolve mensagens atribuídas a Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ministro foi enfático ao negar a existência desses diálogos: “As ilações absurdas simplesmente não existiram. Não existe diálogo, pois não há uma única mensagem ou bloco de notas com o texto de mensagens do ministro Alexandre de Moraes”. Segundo a defesa do ministro, 90,4% do conteúdo do relatório da Polícia Federal baseia-se em inferências, já que as mensagens não foram localizadas nos registros do WhatsApp.

Esclarecimentos sobre o escritório da família

Moraes também rebateu alegações sobre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Ele esclareceu que houve apenas um contrato regular de prestação de serviços para o Banco Master, devidamente declarado e sem qualquer atuação perante o STF. O ministro afirmou que o segundo contrato citado no relatório “jamais existiu” e que seus filhos, também advogados, são alvo de ataques mentirosos destinados exclusivamente a atingi-lo, incluindo a menção a cartões de crédito que nunca foram utilizados.

A resposta sobre a ‘Operação Compliance’

Por fim, o ministro negou ter interferido em investigações ou vazado informações sobre a “Operação Compliance Zero”. Ele qualificou como criminosa a acusação de que teria influenciado autoridades ou coagido agentes públicos. “Qual foi o vazamento? Qual o prejuízo na operação? Nenhum. A farsa é patente”, concluiu Moraes, reforçando que a Procuradoria-Geral da República (PGR) já pediu a extinção do processo por falta de indícios de irregularidades.