O que falta para a portuguesa Mota-Engil assumir a bilionária obra da Fiol e destravar corredor de exportação?

Fase final de negociações e trâmites burocráticos definem futuro da Fiol

A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), um projeto bilionário de infraestrutura essencial para o escoamento da produção brasileira, pode ter um novo capítulo em breve. A multinacional portuguesa Mota-Engil, com participação da estatal chinesa China Communications Construction Company, demonstrou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva seu interesse em dar continuidade às obras. No entanto, a empresa destacou a necessidade de superar entraves burocráticos para o avanço do projeto.

Due diligence em fase final e termo de compra como próximos passos

Para que a Mota-Engil assuma a obra, um termo de compra com a Bamin, atual responsável pela construção de um trecho da Fiol, precisa ser firmado. Segundo Marcus Cavalcanti, secretário do Programa de Parcerias de Investimentos, o processo de due diligence, que avalia a situação da empresa e do projeto, está em sua reta final e deve ser concluído até o fim de maio. Após a formalização do acordo, a empresa portuguesa terá que lidar com os trâmites junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Reunião com o presidente Lula e a importância estratégica da Fiol

A discussão sobre o futuro da Fiol ganhou força em janeiro, com uma reunião realizada no Palácio do Planalto. O encontro contou com a presença de autoridades como o ex-chefe da Casa Civil, Rui Costa, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e Afonso Florence, ex-chefe da Casa Civil do governo baiano. Manuel Antonio, vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo Mota-Engil, também participou da reunião, evidenciando o alto escalão das negociações.

Um projeto de décadas com potencial transformador

A Fiol, concebida para conectar a produção do interior do Brasil a portos estratégicos, representa um dos pilares do Novo PAC. O projeto, dividido em trechos, já demandou investimentos na casa das dezenas de bilhões de reais ao longo de mais de uma década. O Trecho 1, que liga Caetité a Ilhéus, na Bahia, teve suas obras suspensas pela Bamin em março de 2025, mesmo com cerca de 75% de execução. Posteriormente, em setembro do mesmo ano, o governo lançou edital para um novo segmento, a Fiol II, de 35,75 km, sem resolver a pendência do trecho anterior.