Por que a conta de luz no Brasil é tão cara mesmo com energia renovável? Entenda os motivos

O peso real da tarifa na conta

Embora o Brasil seja referência mundial em matriz energética limpa — com quase 90% da eletricidade vindo de fontes como hidrelétricas, eólica e solar —, os consumidores enfrentam uma das tarifas mais elevadas entre países com perfil similar, como Canadá e Noruega. Um estudo realizado pelo economista Daniel Duque, da FGV Ibre, a pedido do Centro de Liderança Pública, revela que o custo da energia em si representa apenas 30,4% do valor da fatura. O restante é composto por uma complexa cadeia de custos extras que pesam no bolso das famílias e das empresas.

O que compõe a fatura de energia?

A fatura de luz brasileira é composta por diversos elementos que vão além da geração. Segundo o levantamento, a distribuição consome 26% do valor, enquanto a transmissão responde por 10%. Além disso, os encargos setoriais — que financiam programas sociais, subsídios para irrigação e outros incentivos — somam 15%. A carga tributária completa o cenário, representando 18% do custo final. Essa estrutura torna a conta de luz um dos itens de maior peso na inflação, superando diversos serviços básicos.

Impacto na competitividade e no dia a dia

O alto custo da energia atinge tanto o cidadão comum, como em condomínios que veem a luz consumir até 40% do valor do boleto, quanto a indústria nacional. Setores que dependem de refrigeração e processos contínuos, como o de processamento de pescado, enfrentam dificuldades para manter a competitividade internacional. Para contornar o problema, empresas têm investido pesado em painéis solares e inteligência artificial para otimizar o consumo, buscando reduzir despesas que, sem controle, inviabilizam o crescimento.

Caminhos para uma energia mais barata

Para mudar esse cenário, especialistas apontam que o Brasil precisa de uma coordenação mais eficiente entre as esferas governamentais. A redução das perdas de energia durante a transmissão e distribuição, que ainda são superiores às de outros países, é um passo fundamental. O objetivo, segundo o setor produtivo, é que a eficiência da nossa matriz renovável se traduza, de fato, em tarifas menores, o que impulsionaria a geração de empregos, o aumento da renda e o desenvolvimento econômico do país.