QUAQUÁ JOGA ALTO. MAS ATÉ ONDE O PT NACIONAL ESTÁ DISPOSTO A ACOMPANHÁ-LO?

Washington Quaquá decidiu fazer uma aposta política ousada. Enquanto parte expressiva da direção histórica do PT fluminense resiste à aproximação com Eduardo Paes, o prefeito de Maricá escolheu seguir na direção oposta, defendendo publicamente uma aliança que provoca desconforto dentro e fora da legenda.

A estratégia colocou Quaquá em rota de colisão com lideranças históricas do partido. Benedita da Silva, uma das maiores referências do PT e reconhecidamente uma das figuras mais respeitadas pelo presidente Lula, passou a ocupar posição oposta à defendida pelo prefeito de Maricá.

O mesmo ocorreu com outras lideranças do partido, aprofundando uma divisão que hoje já não acontece apenas nos bastidores.

Enquanto Quaquá trabalha para fortalecer o projeto político de Eduardo Paes e defende nomes como Pedro Paulo para o Senado, novos fatos passaram a aumentar a pressão sobre essa estratégia.

O presidente Lula fez críticas públicas aos atrasos de obras no Rio de Janeiro e citou diretamente problemas envolvendo a gestão de Eduardo Paes. Ao cobrar mais fiscalização da população, o presidente enviou um recado político que repercutiu em todo o estado e atingiu justamente o principal aliado que Quaquá tenta fortalecer.

Quase ao mesmo tempo, o deputado federal Tarcísio Motta elevou ainda mais a temperatura ao classificar Eduardo Paes como um político que muda de posição conforme a conveniência, chamando-o de “traidor” e descartando qualquer composição do PSOL sob sua liderança.

Esses acontecimentos colocam em xeque a principal aposta política de Washington Quaquá. Afinal, enquanto o prefeito de Maricá trabalha para consolidar Eduardo Paes como peça central do tabuleiro de 2026, surgem críticas vindas de diferentes frentes: do presidente da República em relação à gestão de obras e de um importante líder da esquerda em relação à condução política do prefeito do Rio.

Outro fato que alimentou interpretações políticas foi a ausência de Lula nas comemorações do aniversário de Maricá e a inexistência de um representante de primeiro escalão para receber a homenagem que seria prestada ao presidente durante a sessão solene.

Não houve explicação oficial relacionando essa ausência às divergências internas do PT. Ainda assim, o episódio ocorreu em um momento de forte tensão política dentro da legenda.

Na política, gestos costumam ter peso semelhante ao das palavras. Washington Quaquá demonstra acreditar que sua influência será suficiente para conduzir o PT fluminense na direção que escolheu.

A dúvida que permanece é se essa estratégia encontrará respaldo definitivo na direção nacional do partido ou se o prefeito de Maricá está assumindo um risco político cujos efeitos só serão conhecidos quando o tabuleiro de 2026 começar a ser montado.