“Quaquá tem voz de Patolino defendendo o que Bolsonaro fez”: Jornalista detona prefeito de Maricá após fala em NY…

Tiago Pavinatto detona contradição do vice-presidente do PT em evento patrocinado pela prefeitura com dinheiro público; cidade enfrenta cortes na saúde

“O Quaquá tem voz de Patolino defendendo o que o Bolsonaro fez com o Bolsa Família”, disparou o jornalista Tiago Pavinatto durante seu programa no Metrópoles, ao comentar a participação do prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, no Financial Times Brazil Summit, em Nova York.

A crítica mordaz veio após Quaquá defender publicamente, em solo americano, o “incentivo à ética do trabalho” e a revisão de programas sociais, uma guinada ideológica que deixou até mesmo setores da esquerda perplexos. “Eu estou fazendo um cadastro e, Maricá, estou vendo que 40% é de gente que não precisa. Nós vamos tirar de quem não precisa e vamos passar a dar para quem tem carteira assinada”, declarou o prefeito durante o evento.

A inversão de valores: prefeitura patrocina evento internacional enquanto prefeito palestra…

Mas a contradição não para por aí. Segundo informações divulgadas durante o programa e em reportagens já publicadas, a própria Prefeitura de Maricá desembolsou cerca de US$ 100 mil (aproximadamente R$ 500 mil) para patrocinar institucionalmente o evento internacional no qual Quaquá participou como palestrante convidado, levantando questionamentos políticos sobre o uso de recursos públicos em um fórum realizado no exterior.

“Você vê como o político é uma raça muito louca, né? Durante o Financial Times Brazil Summit, que é aquele encontro de brasileiro com empresário brasileiro e público brasileiro para debater em português, para não falar brasileiro, temas do Brasil em Nova Iorque, que é chique, né, maravilhoso…”, ironizou o jornalista, antes de emendar: “Washington Quaquá defendeu o incentivo à ética do trabalho para diminuir o número de inscritos em programas sociais.”

A plateia? Segundo relatos e comentários feitos nas redes sociais após o evento, o público presente na palestra do prefeito teria sido reduzido, aumentando ainda mais as críticas envolvendo o custo da participação internacional patrocinada com dinheiro público.

“Mais radical que Bolsonaro”

Pavinatto não poupou críticas à proposta de Quaquá, classificando-a como ainda mais radical que medidas implementadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. “O Quaquá é mais radical ainda. Não vai dar benefício para quem está sem trabalho, vai dar benefício só para quem está trabalhando”, analisou o jornalista.

A fala do prefeito petista gerou especulações imediatas: “De onde vem essa mudança radical? O Lula infartará ouvindo uma coisa dessa? É, a conta não deve estar fechando na prefeitura que ele comanda”, questionou Pavinatto.

O jornalista destacou ainda a projeção feita por Quaquá: “Se você tirar o preço da VPC, de Bolsa Família, etc., você tem 150 bilhões para investir. Isso em 10 anos, você imagina que nós teríamos um trilhão e meio para investir na economia brasileira.”

Enquanto isso, em Maricá: críticas e preocupação na saúde pública…

A ironia atinge seu ápice quando se observa o que está acontecendo simultaneamente em Maricá. Enquanto o “prefeito viajante” palestrava em Manhattan sobre cortes sociais, moradores e profissionais da saúde passaram a relatar preocupação com mudanças estruturais após alterações envolvendo Organizações Sociais (OSs) que administram unidades municipais.

Segundo informações divulgadas pelo Jornal Barão de Inohan, após a entrada de nova Organização Social, o número de profissionais em determinadas unidades de saúde será reduzido. Na UPA de Inoã, a Pediatria sairia de 3 para 2 profissionais.

O Serviço Social, que funcionava 24 horas, passaria a operar apenas em horário comercial durante dias úteis.

As mudanças atingiriam também o Posto da 83, o Hospital de São José do Imbassaí e o Conde Modesto Leal. Profissionais e moradores demonstram preocupação com possível aumento do tempo de espera e impactos no atendimento.

“Os cortes estão aí, mas tá sendo na carne do trabalhador e do pobre, enquanto isso o utópico prefeito viajante continua seu périplo novaiorquino palestrando”, resumiu uma publicação repercutida nas redes locais.

PT em rota de colisão

A postura de Quaquá continua gerando mal-estar dentro do PT. Integrantes históricos ligados ao partido já fizeram críticas públicas ao vice-presidente nacional da legenda por declarações consideradas divergentes da linha ideológica tradicional petista.

O sociólogo Benedito Mariano, coordenador do programa de segurança pública da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, chegou a defender publicamente a abertura de processo de expulsão de Quaquá após declarações anteriores envolvendo segurança pública.

Fontes internas do partido revelam que já existe movimentação de caciques históricos avaliando medidas disciplinares contra Quaquá, incluindo possível processo por ferir o regimento interno da legenda com declarações que contradizem a linha programática petista.

“Eu só acho que não combina muito PT com ética no trabalho”, alfinetou Pavinatto, antes de concluir: “A grande questão é: você vê que eles não têm nenhum pudor em tirar das pessoas, como você disse, os menos favorecidos, e ele já fez até conta, já fez cálculo, 150 bilhões por ano.”

Com profissionais da saúde preocupados e população criticando mudanças na gestão pública, Maricá parece assistir ao crescimento de uma contradição política cada vez mais evidente: um prefeito que participa de evento internacional patrocinado com recursos públicos para defender cortes sociais enquanto enfrenta críticas sobre áreas sensíveis dentro da própria cidade.

Enquanto isso, em Maricá, já começam articulações pelo retorno de Fabiano Horta à gestão municipal. O “Quaquá de Nova York” está cada vez mais distante geográfica, ideológica e politicamente tanto do PT quanto da população que o elegeu.