Redução de Perdas Hídricas no Brasil Poderia Abastecer Quase 50 Milhões de Pessoas, Revela Estudo

Um potencial gigante desperdiçado

A redução das perdas de água no Brasil tem o potencial de abastecer e beneficiar aproximadamente 48 milhões de pessoas. Essa impressionante capacidade de economia foi revelada por um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados. O levantamento destaca que o país perde cerca de 39,5% da água potável em seus sistemas de distribuição, um volume que chega a 2,8 bilhões de metros cúbicos anualmente. Para se ter uma dimensão, essa quantidade seria suficiente para suprir a população do Canadá, com seus 41,4 milhões de habitantes, por um ano inteiro.

Entendendo as perdas e seus impactos

As perdas de água durante o processo de abastecimento podem ocorrer por diversos fatores, como vazamentos em tubulações, erros na medição do consumo e até mesmo por ligações clandestinas ou consumos não autorizados. Esses desperdícios não apenas representam um grave impacto ambiental, mas também afetam negativamente a receita das companhias de saneamento e aumentam os custos de produção. Consequentemente, todo o sistema se torna mais caro, prejudicando, em última instância, os consumidores finais.

Metas do Marco Legal e a realidade atual

O Brasil estabeleceu a meta de reduzir suas perdas de água para 25% até 2033, ano limite estipulado pelo Novo Marco Legal do Saneamento. Sancionada em 2023, a legislação estabelece que até essa data, 99% da população brasileira deve ter acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto. No entanto, com mais da metade do prazo já transcorrido, surgem dúvidas sobre a capacidade do país em alcançar essas metas. Um levantamento da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) indica que apenas 94 municípios estão caminhando efetivamente para a universalização dos serviços de água e esgoto.

Desempenho regional e desafios nas capitais

A análise dos dados, que abrangeu as cinco regiões do país, estados, o Distrito Federal e os 100 municípios mais populosos, também revelou disparidades. Entre as capitais, Curitiba (PR) se destaca como a única a apresentar desempenho suficiente para ser classificada como “rumo à universalização”. Em contrapartida, capitais da região Norte, como Belém (PA), Macapá (AP), Manaus (AM) e Porto Velho (RO), registraram desempenho considerado ruim, demonstrando lentidão na implementação das metas do marco legal. Nas cidades de grande porte, Leme (SP), Balneário Camboriú (SC) e Santa Bárbara D’Oeste (SP) aparecem entre as com melhores classificações.