A Tensão Crescente no Estreito de Taiwan
A relação entre os Estados Unidos e a China tem sido marcada por uma crescente tensão em torno de Taiwan. Após uma cúpula entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, a venda de armas dos EUA para a ilha democrática de 23 milhões de habitantes ganhou destaque. Xi Jinping alertou que a questão de Taiwan, considerada a mais delicada entre as duas potências, poderia se tornar uma “situação muito perigosa” se mal administrada. Trump, por sua vez, chegou a adiar a assinatura de um acordo de US$ 14 bilhões em armamentos, classificando-o como “uma excelente moeda de troca” em suas negociações com Pequim.
A Lei que Obriga os EUA a Defender Taiwan
A base legal para o fornecimento de armas americanas a Taiwan reside na Lei de Relações com Taiwan, promulgada pelo Congresso em 1979. Naquele ano, o governo do presidente Jimmy Carter transferiu o reconhecimento diplomático de Taipei para Pequim, encerrando um tratado de defesa mútua. O Congresso americano, sentindo que a ilha ficara vulnerável, agiu rapidamente. A lei estabelece que o futuro de Taiwan deve ser decidido por “meios pacíficos” e que os EUA “devem fornecer a Taiwan armas de caráter defensivo” para garantir sua autodefesa. Apesar de um comunicado conjunto EUA-China de 1982 mencionar a intenção de Washington de reduzir gradualmente as vendas de armas, Pequim interpreta esse texto como um compromisso vinculativo, algo que autoridades americanas contestam há muito tempo.
O Longo Caminho das Armas de Washington para Taipei
Desde 1979, Taiwan adquiriu bilhões de dólares em sistemas militares dos EUA. No entanto, a entrega desses equipamentos raramente é rápida. O processo de venda e fabricação de armas pode levar anos, dependendo da capacidade industrial, prioridades militares americanas e de outros países aliados. Um relatório de 2026 aponta para um atraso de quase US$ 30 bilhões em armamentos ainda a serem entregues a Taiwan. Exemplos notórios incluem a espera de 81 meses por 108 tanques Abrams e a expectativa por caças F-16 encomendados em 2019. De acordo com o Ministério da Defesa de Taiwan, apenas cinco das 23 principais vendas de armas na última década foram totalmente entregues.
O Debate sobre a “Estratégia do Porco-Espinho”
A lentidão na entrega de armamentos tradicionais e de grande porte tem gerado um debate em Taiwan. Muitos defendem a adoção da “estratégia do porco-espinho”, que prioriza armamentos assimétricos, mais baratos, fáceis de produzir e desenvolver localmente, como drones e mísseis antinavio. Essa abordagem visa aumentar a capacidade de autodefesa da ilha frente ao poderio militar superior da China. Analistas apontam que o atraso de Trump na assinatura do recente acordo de US$ 14 bilhões, focado em defesas aéreas e contramedidas contra drones, pode ter um impacto limitado na prontidão militar imediata de Taiwan, dada a longa cadeia de produção de sistemas como os mísseis Patriot, cujos prazos de entrega podem se estender por anos.