China em destaque no cenário geopolítico
A recente visita do presidente russo, Vladimir Putin, ao seu homólogo chinês, Xi Jinping, sinaliza um protagonismo cada vez maior da China no tabuleiro geopolítico mundial. A avaliação é do professor de Relações Internacionais Carlos Frederico Coelho, da PUC-Rio e da Eceme, em entrevista ao programa WW. Segundo Coelho, o encontro não é um evento isolado, mas parte de um contexto mais amplo que envolve recentes diálogos entre Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além das alianças geopolíticas formadas em decorrência dos conflitos no Leste Europeu e no Oriente Médio.
China como principal beneficiária dos conflitos
Coelho ressalta a importância de uma reportagem do Financial Times que sugere que Xi Jinping teria informado a Trump que Putin se arrepende da invasão da Ucrânia. Para o professor, se essa informação for confirmada, ela reforça a posição de vantagem ocupada pela China. “O fato é que talvez a China tenha sido o maior beneficiário de tudo o que está acontecendo”, afirma, citando também uma capa da revista The Economist que ilustra Xi Jinping observando Trump, com a mensagem implícita de não interromper um adversário enquanto ele comete erros.
A caminho de uma nova ordem mundial multipolar
A semana da visita de Putin à China é considerada crucial para entender a configuração da nova ordem mundial. De acordo com o professor, o cenário futuro aponta para um arranjo mais flexível e multipolar. Nesse contexto, a China demonstra uma disposição crescente em assumir um papel mais ativo, saindo de uma postura meramente reativa.
China mais ativa na proposição de soluções
“Estamos vendo a China um pouco mais disposta a ter um papel não só reativo, mas um pouquinho mais ativo, propondo algumas soluções e questões”, conclui Coelho. Essa postura indica uma maior assertividade da China em influenciar os rumos das relações internacionais e na busca por soluções para as crises globais.