A outrora pacata Maricá, conhecida por suas belezas naturais e promessas de um futuro promissor, enfrenta uma realidade sombria que tem amedrontado seus moradores, especialmente mulheres, idosos e crianças.
O aumento exponencial de pessoas em situação de rua, ocupando calçadas e marquises, transformou a rotina noturna da cidade em um cenário de apreensão e insegurança.
O relato angustiante de uma mãe, moradora local, expõe a fragilidade da política social do município.
Ao precisar levar seu filho febril ao Hospital Municipal Conde Modesto, ela se deparou com uma quantidade impressionante de moradores de rua.
“Não sabia que tinha tantos assim no governo do Fabiano Horta. Não tinha essa quantidade”, desabafou Fernanda (nome fictício para preservar a identidade da moradora).
A trabalhadora autônoma, que já atuou na limpeza da prefeitura e hoje depende de trabalhos ocasionais e da pensão de sua mãe para sobreviver, expressou seu medo diante da situação:
“Em cada marquise encontrava uma pessoa, o medo foi grande porque não sabemos quem são estas pessoas que são largadas em Maricá devido à política de assistencialismo, mais é algo muito preocupante.”
O testemunho de Fernanda ecoa a crescente sensação de abandono por parte dos cidadãos maricaenses, que se sentem preteridos em detrimento de uma política assistencialista vista como indiscriminada e ineficaz.
A ausência de ações preventivas e de um planejamento social robusto parece ter contribuído para o agravamento da situação.
A mãe faz um alerta direto:
“Deixo aqui um ALERTA as mulheres para ter cuidado ao andar à noite pelas ruas de Maricá, até quando estava entrando no hospital tinha pessoa deitada em cima de um papelão na calçada.”
A problemática expõe um contraste gritante entre o discurso de uma “cidade do futuro” e a dura realidade presente.
Enquanto projetos ambiciosos são anunciados, a falta de atenção às necessidades básicas e à segurança da população se torna cada vez mais evidente.
A crítica à gestão da assistência social é contundente, com menção ao período em que Jorge Castor liderava a pasta: “Quando o Secretário era Jorge Castor a cidade não presenciava o que hoje é uma ameaça ao morador, hoje ocupando a vaga de embaixador de Maricá com a missão de ficar viajando pelo mundo, o espaço que antes existia um planejamento está entregue às traças.”
A linha tênue entre assistência social e assistencialismo é crucial neste debate. A assistência social, como direito de cidadania, visa a autonomia e a justiça social através de políticas públicas estruturadas.
O assistencialismo, por outro lado, com suas ações pontuais, pode gerar dependência e não promove a transformação social necessária.
O desafio de Maricá reside em equilibrar seus projetos futuros com a resolução urgente dos problemas do presente. A segurança e o bem-estar de seus moradores não podem ser negligenciados em nome de uma visão de futuro distante.
A implementação de políticas sociais eficazes, aliadas à educação e à capacitação, é o caminho para construir uma cidade verdadeiramente próspera e segura para todos.
A pergunta que paira no ar é: até quando a população de Maricá conviverá com o medo e a insegurança em suas próprias ruas?