O Futuro em Canto, o Presente em Caos: Maricá entre a Utopia e a Realidade Cruel…

Enquanto Maricá se debate com a urgência do presente, o prefeito Washington Quaquá parece fixado em um futuro distante, desenhando ambiciosos projetos que contrastam drasticamente com a dura realidade enfrentada pelos cidadãos.

A mais recente aposta, a criação de vastas fazendas públicas sustentáveis em municípios vizinhos, como Itaboraí, Rio Bonito e Tanguá, surge como uma tentativa de diversificar a economia, mas levanta questionamentos sobre a prioridade da gestão.

O plano, que prevê a aquisição de dois mil hectares para a produção agroflorestal de cacau, café, açaí, palmito e madeira de lei, é alardeado como um novo modelo de geração de renda, afastando a dependência dos royalties do petróleo e dos programas sociais. Quaquá convoca jovens talentos para integrar cooperativas, vislumbrando um horizonte de “trabalho na terra com produtos de alto valor de mercado”.

No entanto, a visão futurista do prefeito se choca com um presente marcado por uma administração que muitos descrevem como ditatorial e voltada para interesses políticos.

Paralelamente aos grandiosos planos para o futuro, a prefeitura de Maricá tem promovido um severo enxugamento da folha de pagamento, resultando em uma onda de demissões em diversos setores da administração pública e empresas terceirizadas.

A expectativa é que essa medida “abra espaço para novas formas de geração de emprego e renda fora do serviço público”, mas a realidade é que o desemprego já se torna uma preocupação iminente para muitos moradores que dependem da máquina pública.

O projeto das fazendas, ainda sem um cronograma definido, expõe uma desconexão preocupante com as necessidades imediatas da população. Enquanto a gestão municipal investe em terras e sonhos distantes, problemas emergenciais são negligenciados.

A ampliação do Hospital Conde Modesto Leal, por exemplo, com a aquisição do terreno nos fundos para desafogar o setor de emergência — onde pacientes são atendidos em corredores e até no chão — parece ter sido relegada a segundo plano.

A vida dos maricaenses, sufocada por um sistema de saúde precário, deveria ser a prioridade máxima.

Empresários da cidade reforçam que, para atrair investimentos privados e impulsionar o crescimento econômico, Maricá precisa urgentemente de melhorias na infraestrutura urbana. Problemas crônicos no abastecimento de água e no fornecimento de energia elétrica continuam sendo barreiras para a atração de indústrias e grandes negócios.

Apesar das incertezas e da aparente inversão de prioridades, o projeto agroecológico é apresentado como o “novo caminho para diversificar a economia e criar uma renda sustentável para o futuro de Maricá”.

Mas enquanto o futuro é idealizado, o presente clama por soluções que coloquem a vida e o bem-estar dos cidadãos em primeiro lugar. A questão que paira é: até quando Maricá continuará a ser uma cidade do futuro, enquanto seu presente sofre sob o peso de uma administração que parece ignorar as urgências mais básicas?