Maricá vira referência internacional enquanto Quaquá apaga exemplos que poderiam inspirar o mundo..

A surpreendente ascensão do deputado estadual Zohran Mamdani, de 33 anos, à liderança na corrida pela Prefeitura de Nova York reacende o debate sobre políticas públicas progressistas e inspira um olhar para o Brasil — mais precisamente, para Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Mamdani, um muçulmano socialista nascido em Uganda e radicado em Nova York desde os sete anos, venceu as primárias do Partido Democrata contra o veterano Andrew Cuomo, ex-governador do Estado.

Com propostas como transporte público gratuito, creches universais, congelamento de aluguéis e mercados populares administrados pelo governo, ele conquistou o eleitorado com uma agenda ousada e voltada à redução das desigualdades sociais.

O que poucos sabem — inclusive nos Estados Unidos — é que boa parte dessas ideias já são realidade em Maricá, cidade brasileira que há anos adota políticas semelhantes.

O transporte público gratuito, com os chamados “vermelhinhos”, os programas de moeda social (Mumbuca), o auxílio direto à população e até iniciativas de supermercados populares fazem parte de um modelo que tem despertado o interesse internacional.

A ironia, no entanto, é que enquanto o mundo começa a se inspirar em políticas como as de Maricá, o próprio idealizador desse projeto, o ex-prefeito e atual líder político Washington Quaquá, tem abandonado ou enfraquecido programas que poderiam hoje ser vitrine global.

Projetos inovadores, que poderiam ser replicados em outras prefeituras do Brasil e até fora dele, vêm sendo descontinuados ou relegados ao segundo plano — um contrassenso que merece reflexão.

A vitória de Mamdani mostra que há espaço para uma nova geração de políticos com coragem para enfrentar os interesses do capital e propor soluções baseadas na justiça social. Ele defende que “uma cidade onde um em cada quatro habitantes vive na pobreza não pode continuar servindo apenas aos mais ricos” — discurso que, por muito tempo, encontrou eco em Maricá.

A diferença é que, em Nova York, essas ideias ainda estão no plano da proposta. Em Maricá, já foram implementadas e testadas com resultados concretos. Por isso, o exemplo brasileiro poderia ser — e talvez já esteja sendo — um modelo silencioso que alimenta transformações políticas mundo afora.

Resta saber se os líderes de Maricá continuarão na vanguarda ou se permitirão que outros países adotem como exemplo aquilo que, por aqui, foi deixado para trás.

Fonte: BBC

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