Polícia Investiga Morte de Bebê em Cachoeiras de Macacu: Família Acusa Negligência Médica e Demora na Transferência
Pais relatam diversas idas ao hospital com a filha de 1 ano, que teria recebido diagnósticos equivocados e teve pedidos de transferência negados, culminando em seu óbito.
O Drama de Eloá: Cinco Internações e Diagnósticos Insatisfatórios
A Polícia Civil investiga a morte de Eloá Alves de Oliveira, de apenas 1 ano, ocorrida em um hospital de Cachoeiras de Macacu, no Rio de Janeiro. A família da criança aponta negligência médica e demora no atendimento como causas do falecimento. Segundo o pai, Leonardo Silva de Oliveira, Eloá deu entrada na unidade hospitalar cinco vezes entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Em uma das ocasiões, a bebê foi internada com diagnóstico de otite, mas dias depois apresentou inchaço generalizado e manchas pelo corpo, sintomas que, segundo a família, foram atribuídos a uma alergia medicamentosa.
Relatos de Descaso e a Luta Pela Transferência
O pai de Eloá descreveu ao G1 que a equipe médica minimizava a gravidade do quadro da filha. “Tem duas frases que não tiro da minha cabeça. O médico, que batendo no peito, disse pra mim que ele tinha 45 anos de profissão e que a minha filha não corria risco de vida, estava sendo bem cuidada”, relatou Leonardo, visivelmente abalado. A mãe, Victoria Silveira Alves, reforçou a dificuldade em conseguir que a filha fosse transferida para uma unidade de terapia intensiva neonatal em Niterói. “A todo momento a gente pedia a transferência da nossa filha e eles negavam. Disseram ‘como vou transferir uma criança que só tem febre?’”, desabafou Victoria, destacando que a bebê não urinava, não comia e dormia o dia inteiro.
Transferência Tardia e o Diagnóstico Final
A transferência de Eloá para a unidade Neotin – Neonatal Terapia Intensiva, em Niterói, só foi efetivada após a intervenção de um advogado, no dia 2 de janeiro. Ao chegar na nova unidade, a bebê já estava entubada. A família acredita que a demora e a falta de diagnóstico correto no hospital de Cachoeiras de Macacu foram determinantes para a morte da criança. “Minha filha foi transferida para morrer”, disse o pai, em um desabafo que ecoa a dor e a revolta da família.
Posicionamentos Oficiais: Prefeitura e Hospital
Em nota, a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu lamentou o ocorrido e informou que o atendimento seguiu os protocolos médicos, com prestação de esclarecimentos técnicos pela organização social que administra o Hospital Municipal Dr. Celso Martins. Segundo o comunicado, a transferência foi solicitada após a evolução do quadro clínico e realizada de forma regulada. A prefeitura informou que uma comissão interna analisa o caso e que, até o momento, não foram identificadas irregularidades, mas a apuração segue aberta. A unidade Neotin Neonatal Terapia Intensiva, por sua vez, informou que Eloá deu entrada com edema generalizado e sinais inflamatórios sistêmicos, sendo adotadas medidas de tratamento intensivo. Exames apontaram alterações graves, e a bebê evoluiu para choque séptico e falência de múltiplos órgãos, vindo a óbito. A causa registrada foi choque séptico.