MP Denuncia 23 Pessoas por Esquema Bilionário de Lavagem de Dinheiro na Polícia Civil de SP
Advogados, operadores financeiros e policiais civis são acusados de corrupção e associação criminosa; esquema movimentou quantias bilionárias por meio de empresas de fachada.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou nesta segunda-feira (27) uma denúncia contra 23 indivíduos envolvidos em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que atuou de forma estruturada na capital paulista por, no mínimo, quatro anos. A rede criminosa, que desviava recursos bilionários, contava com a participação de operadores financeiros ilícitos, advogados e policiais civis.
Rede de Corrupção Atingiu Diversas Unidades da Polícia Civil
As investigações, conduzidas pela Polícia Federal, revelaram a montagem de uma rede de corrupção que se infiltrou em diferentes unidades da Polícia Civil de São Paulo. O objetivo principal era assegurar a continuidade das operações ilegais do grupo. Os mecanismos utilizados para a lavagem de dinheiro incluíam o uso de empresas de fachada, evasão de divisas, fraudes com cartões de alimentação e outras práticas ilícitas.
Propina e Interferência nas Investigações
De acordo com as apurações, os primeiros indícios de transferências sistemáticas de propina a policiais civis responsáveis por investigações datam de agosto de 2020. Além disso, foram documentadas tentativas de interferência direta nas operações policiais, como a remoção de documentos e a substituição de equipamentos eletrônicos apreendidos, visando obstruir a justiça.
Operação Bazaar e Pedidos do MP
A denúncia surge no contexto da Operação Bazaar, deflagrada em 5 de março pelo MPSP e Polícia Federal, que visava desarticular a corrupção e a lavagem de dinheiro dentro da Polícia Civil de São Paulo. A operação resultou no cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisão. Na denúncia atual, o MPSP solicita a manutenção das prisões preventivas de parte dos acusados e a manutenção das medidas patrimoniais já impostas. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também busca o bloqueio de bens e valores dos policiais civis denunciados. O Ministério Público ressalta o grave prejuízo à confiança da sociedade nas instituições de segurança pública e solicita reparação por dano moral coletivo.
Posicionamento da Secretaria de Segurança Pública
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em nota, informou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha e colabora com as investigações do Ministério Público. A Polícia Civil reafirmou seu compromisso em não compactuar com desvios de conduta e declarou que todas as medidas legais e disciplinares cabíveis serão tomadas caso irregularidades sejam confirmadas.