Presidente da Nissan defende taxa sobre carros chineses no Brasil e sugere modelo mexicano para proteger indústria local

Presidente da Nissan defende taxa sobre carros chineses no Brasil e sugere modelo mexicano para proteger indústria local

Christian Meunier argumenta que o governo brasileiro precisa intervir para garantir concorrência justa com veículos importados, citando exemplos dos EUA e México.

Nissan busca proteger produção local com medidas protecionistas

Christian Meunier, presidente da Nissan nas Américas, defendeu a implementação de taxas sobre a importação de carros chineses no Brasil, argumentando que o governo brasileiro precisa proteger sua indústria automobilística. Em entrevista a jornalistas, Meunier declarou que “não faz sentido permitir que carros importados sejam despejados no Brasil e compitam com os carros produzidos localmente”. Ele citou como exemplo as medidas adotadas pelo México e pelos Estados Unidos, que já aplicam tarifas sobre importações de veículos da China.

Modelo mexicano como inspiração para o Brasil

O executivo sugeriu que o Brasil adote um modelo semelhante ao mexicano, onde tarifas são aplicadas com base na produção local. “Há a necessidade de eles [o México] reagirem a isso: ‘Ok, se você produzir um certo volume de carros no México, então estará isento para alguns carros que importar da China; mas, se não produzir no México, terá de pagar uma tarifa de 50%’. E eu acho que o Brasil deveria fazer o mesmo”, disse Meunier. Atualmente, o acordo ACE-55 entre México e Mercosul isenta os produtos automotivos brasileiros de taxas no México, mas as tarifas para outros itens variam de 5% a 50%.

Investimentos em Resende e estratégia de localização

A Nissan tem investido na sua fábrica em Resende (RJ), onde produz modelos como os SUVs Kicks e Kait, com o objetivo de também torná-la um polo de exportação para a América Latina. A montadora aportou R$ 2,8 bilhões na planta, parte destinada ao desenvolvimento do novo Nissan Kait. Meunier ressaltou a importância da localização da produção, seguindo a estratégia de “produzir onde se vende” para reduzir custos e riscos cambiais, além de otimizar a logística. A fábrica brasileira já exporta o SUV Kait para mais de 20 países da região.

Reestruturação global e desafios no mercado brasileiro

A declaração de Meunier ocorre em meio a uma reestruturação global da Nissan, que incluiu a troca de diretores executivos para resgatar o “espírito de luta” da marca. A empresa busca eficiência e redução de custos, tendo diminuído US$ 1 bilhão em custos fixos e outros US$ 1 bilhão em custos variáveis nas Américas. No entanto, a Nissan enfrenta desafios no Brasil, com sua participação de mercado praticamente estável desde 2020. Em 2024, a marca foi superada pela Honda e pela BYD em emplacamentos, e o SUV Kicks caiu para a sétima posição entre os mais vendidos, após um reajuste de preço.