Stellantis anuncia perdas massivas com revisão de estratégia elétrica
A Stellantis, uma das maiores montadoras do mundo, divulgou um prejuízo contábil de 25,4 bilhões de euros (aproximadamente R$ 153,9 bilhões) em 2025, resultado de baixas no valor de seus ativos. A maior parte dessa perda, 22,2 bilhões de euros (R$ 134,5 bilhões), ocorreu no segundo semestre, pressionando o valor das ações da empresa.
O prejuízo operacional ajustado também foi significativo, atingindo 1,38 bilhão de euros (R$ 8,4 bilhões). Esses números, no entanto, já eram esperados pela companhia, que havia divulgado estimativas preliminares semanas antes.
CEO reconhece erro e aponta necessidade de reorientação
Antonio Filosa, CEO da Stellantis, admitiu que a empresa superestimou o ritmo da transição para veículos elétricos. “Nossos resultados completos de 2025 refletem o custo de superestimar o ritmo da transição energética e a necessidade de reorientar o negócio”, declarou Filosa em nota oficial. Ele ressaltou a importância de garantir aos clientes a liberdade de escolha entre tecnologias elétricas, híbridas e a combustão.
Filosa apontou que, na segunda metade do ano, a empresa começou a ver sinais de progresso com melhorias na qualidade, fortalecimento de lançamentos e retomada do crescimento da receita. “Em 2026, nosso foco será corrigir falhas na execução e acelerar o retorno ao crescimento com lucro”, afirmou o executivo.
Crescimento em entregas contrasta com perdas contábeis
Apesar do expressivo prejuízo contábil, a Stellantis conseguiu aumentar suas entregas de veículos em 11% no mesmo período. A receita da companhia também apresentou crescimento, somando 79,25 bilhões de euros (R$ 480,3 bilhões) entre julho e dezembro, um aumento de 10%.
Analistas do Citi consideram este um “ponto baixo evidente” para a Stellantis, mas veem potencial de recuperação. Contudo, avaliam que outras montadoras na Europa e nos Estados Unidos apresentam menos riscos no momento.
Ações em queda e projeções para o futuro
As ações da Stellantis em Milão registraram queda desde o anúncio das perdas, acumulando um recuo de cerca de 20% e atingindo seu nível mais baixo em fevereiro. A empresa manteve suas projeções para 2026, esperando um crescimento moderado da receita e uma margem operacional positiva, embora baixa. A expectativa é que o fluxo de caixa livre só retorne ao patamar positivo em 2027.
O caso da Stellantis reflete as dificuldades enfrentadas por montadoras globais na transição para veículos elétricos, especialmente após a redução de metas por parte dos Estados Unidos e da Europa para esse tipo de veículo.