Versões Divergentes Sobre o Incidente
Uma mãe denunciou que seu filho autista, de 14 anos e com necessidade de suporte nível 3, fraturou o fêmur após ser supostamente empurrado por um professor em uma escola em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. O incidente teria ocorrido na última quarta-feira (11), e o jovem está internado no Hospital Roberto Chabo, em Araruama, aguardando cirurgia marcada para esta terça-feira (17).
A mãe, Cristina, contesta a versão inicial registrada pela escola na agenda do aluno, que indicava que o jovem teria “resistido a levantar, se desequilibrado e caído”. Segundo ela, auxiliares da escola relataram posteriormente que o estudante foi, de fato, empurrado. “Primeiro falaram que ele se desequilibrou. Depois, quando a direção conversou com os auxiliares, todos disseram que ele foi empurrado. Não foi uma simples queda”, afirmou Cristina.
Diagnóstico e Dificuldades no Atendimento
Ao chegar em casa, Davi apresentou dificuldades de locomoção e fortes dores. Levado a um pronto-socorro em São Pedro da Aldeia, cidade onde mora, exames iniciais identificaram uma lesão, e uma tomografia confirmou a fratura no colo do fêmur. O estudante foi então transferido para o Hospital Roberto Chabo, em Araruama. A mãe relatou ainda dificuldades no atendimento hospitalar, com o filho permanecendo dias sem um leito adequado.
“Fiquei três dias com ele na sala de medicação, sem leito. Ele é um jovem autista, precisava de cuidado, e ninguém da escola apareceu para dar suporte”, desabafou a mãe.
Afastamento de Servidor e Investigação Policial
Em resposta à repercussão do caso, a Secretaria Municipal de Educação de Cabo Frio confirmou ter registrado um boletim de ocorrência. A pasta instaurou um processo administrativo para apurar as circunstâncias do ocorrido e afastou o servidor envolvido de suas funções, que também foi convocado para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil investiga o caso como lesão corporal culposa.
De acordo com o registro policial, o incidente ocorreu no momento do embarque no ônibus escolar, quando o jovem teria sido empurrado. A mãe, no entanto, expressou insatisfação com a forma como o boletim de ocorrência foi registrado, alegando que foi feito sem a presença da família. Ela pretende registrar um novo boletim após a cirurgia do filho, com base no laudo médico completo.
A Secretaria Municipal de Educação lamentou o ocorrido e se solidarizou com a família, reafirmando seu compromisso com a segurança e o bem-estar dos alunos e colaborando integralmente com as autoridades competentes.