Denunciante relata ter sido agredido e imobilizado violentamente enquanto passava por crise de ansiedade remetida ao espectro autista.
Um técnico de enfermagem autista denunciou ter sofrido agressões físicas e verbais em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Iguaba Grande (RJ) na última semana. O profissional, que não teve o nome divulgado, alega que o incidente ocorreu enquanto ele passava por uma crise de ansiedade, um quadro conhecido como “meltdown”, caracterizado por sobrecarga emocional e sensorial que pode afetar temporariamente o controle de reações e a comunicação.
Segundo o relato, o conflito começou quando o técnico tentava garantir que sua esposa, que havia sofrido um corte na cabeça após uma colisão de carro, permanecesse em observação na unidade por precaução. Ele contesta a avaliação médica de que não haveria necessidade e alega ter visto leitos desocupados quando lhe foi negado o pedido por falta de vagas.
Versões divergentes sobre o ocorrido na UPA
A situação teria se agravado quando o técnico tentou sair e retornar à UPA. Ele afirma ter sido impedido por um segurança, que teria proferido ofensas e ameaças. O profissional admite ter empurrado o agente, mas relata que, em seguida, foi agredido por outros seguranças, algemado com violência e imobilizado no chão, com agressões contínuas mesmo após ser algemado.
A Prefeitura de Iguaba Grande, em nota, contestou a versão do técnico. Segundo o município, a esposa do denunciante foi atendida rapidamente e o técnico também recebeu atendimento imediato por quadro de crise hipertensiva. A administração municipal afirmou que a equipe de segurança interveio para garantir a integridade de pacientes e profissionais, e que o homem apresentou comportamento agressivo, desacatou a equipe e teria feito ameaças com um objeto perfurocortante. Registros de ocorrência por desacato e dano foram feitos após o homem retornar à unidade e tentar arrombar um portão.
Cobrança por preparo e capacitação para atendimento a neurodivergentes
O técnico de enfermagem denuncia o que considera um despreparo da unidade em lidar com pessoas neurodivergentes em situação de crise. Ele ressalta a falta de capacitação e de protocolos adequados para o atendimento de pacientes com transtorno do espectro autista em momentos de desregulação emocional, como o que ele vivenciou.
Após a confusão, o profissional foi levado à delegacia e, em seguida, retornou à UPA para realizar exames. Ele também passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal. O técnico afirma que pretende buscar responsabilização pelo caso e cobrar mudanças no atendimento a pessoas com deficiência e neurodivergentes na rede pública, tendo criado um perfil em rede social para reunir denúncias similares.
Prefeitura promete análise de imagens sobre agressão
Em relação à denúncia de que o técnico teria sido agredido após estar imobilizado, a Prefeitura de Iguaba Grande informou que só se posicionará após analisar as imagens do ocorrido. A administração municipal reiterou que a intervenção da segurança visou a integridade de todos na unidade.