Consumo excessivo de ômega-3 na gravidez pode trazer riscos ao desenvolvimento do bebê, alerta estudo da UFPR

O papel do ômega-3 e o alerta da ciência

Amplamente recomendado por especialistas para auxiliar no desenvolvimento do sistema nervoso do bebê e no bom funcionamento da placenta, o ômega-3 é um nutriente fundamental na gestação. No entanto, um novo estudo desenvolvido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) traz um alerta importante: o consumo excessivo dessa gordura pode ser prejudicial. A pesquisa, parte da tese de doutorado de Matheus Felipe Zazula, sob orientação da professora Katya Naliwaiko, investigou como a dose pode determinar se uma substância trará benefícios ou danos ao organismo.

Doses elevadas e a síndrome metabólica

O experimento, realizado com ratas da linhagem Wistar, testou diferentes níveis de suplementação. Enquanto doses moderadas mantiveram os efeitos benéficos, as quantidades mais elevadas — equivalentes a 3 e 4 gramas por quilo de peso corporal — resultaram em problemas sérios. Entre as complicações observadas nas mães, destacam-se o aumento da gordura abdominal, resistência à insulina, alterações na glicemia e quadros de síndrome metabólica. Além disso, o excesso de suplementação interferiu diretamente no funcionamento da placenta, prejudicando o transporte de nutrientes essenciais para o feto.

Impactos no desenvolvimento dos filhotes

Os efeitos negativos também foram observados na prole. Os filhotes das mães que receberam doses elevadas de ômega-3 nasceram menores, mas apresentaram um maior acúmulo de gordura corporal. O estudo também identificou atrasos no desenvolvimento de reflexos e movimentos, alterações musculares e uma taxa de mortalidade mais elevada nos primeiros dias de vida. Embora os resultados sejam baseados em modelos experimentais e não possam ser extrapolados diretamente para humanos, os pesquisadores ressaltam a necessidade de cautela.

A importância da regulamentação e moderação

Atualmente, diferentemente de nutrientes como ferro e zinco, o ômega-3 ainda carece de normas internacionais rigorosas que estabeleçam limites claros de toxicidade. Segundo Zazula, o cenário é de uma regulamentação fragmentada, agravada pela influência de recomendações indiscriminadas feitas por influenciadores digitais. O pesquisador reforça que, na gestação, a suplementação deve ser encarada com seriedade e acompanhamento médico rigoroso, evitando o consumo por conta própria, já que, no caso de suplementos, a dose é o que define o limite entre a saúde e o risco.