O mercado automotivo brasileiro vive uma transformação profunda impulsionada pela chamada ‘ofensiva chinesa’. A Chery International confirmou a chegada de quatro novas marcas ao país — iCAUR, Lepas, Luxeed e Freelander — até 2028, somando-se à Dongfeng (DFM) e à divisão de luxo da MG, a IM, em um movimento que promete acirrar a concorrência e diversificar as opções para o consumidor.
A estratégia das novas marcas da Chery
A grande novidade é a iCAUR, que aposta em SUVs de design quadrado e proposta aventureira, com destaque para o modelo V27, equipado com tecnologia REEV (elétrico com extensor de alcance). Além dela, a Lepas focará em SUVs tradicionais, enquanto Luxeed e Freelander atuarão sob a bandeira premium Exeed. A meta do grupo é ambiciosa: alcançar mil lojas e meio milhão de veículos vendidos anualmente até 2031, com estudos avançados para a possível instalação de uma fábrica local.
Dongfeng e MG Motors reforçam a presença chinesa
Além da Chery, a Dongfeng (DFM) já tem planos concretos de operação com 57 lojas aprovadas e presença planejada em 21 estados. Paralelamente, a MG Motors, sob o comando da chinesa SAIC, traz a divisão de luxo IM, reforçando o movimento de eletrificação e tecnologia no Brasil. O setor observa atentamente a montagem local de modelos, como o MG4 Urban no Ceará, como um sinal de que as marcas chinesas buscam raízes profundas no solo brasileiro.
O impacto no bolso: queda real nos preços
O ‘efeito China’ já é sentido na economia. Segundo a Bright Consulting, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos subiu menos que a inflação. Houve uma queda real de 1,5% no valor dos veículos em 2026. A competição acirrada forçou montadoras tradicionais a reduzirem margens, resultando em uma diferença de quase R$ 15 mil entre o preço de tabela e o valor efetivamente pago no balcão das concessionárias.
Desafios: crédito caro e infraestrutura
Apesar da maior oferta e dos preços mais competitivos, o acesso ao carro zero ainda enfrenta barreiras. Com juros de financiamento entre 18% e 22% ao ano, a compra permanece restrita a uma parcela menor da população. Especialistas da FGV apontam que, enquanto a taxa Selic não recuar, o mercado dependerá de esforços das montadoras para absorver custos. Mesmo assim, a verticalização da produção — com as chinesas fabricando suas próprias baterias — coloca o Brasil em uma posição estratégica como o maior importador de veículos chineses do mundo.