Aumento da letalidade e operações secretas
A Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos intensificou sua guerra secreta contra os cartéis mexicanos, com operações que vão desde o compartilhamento de informações até a participação direta em assassinatos de membros de organizações criminosas. Fontes familiarizadas com as operações revelaram à CNN que a letalidade das ações da agência aumentou consideravelmente nos últimos meses, marcando uma expansão significativa de suas atividades no México.
Essas operações, muitas vezes conduzidas pela secreta Divisão Terrestre da CIA, visam desmantelar as redes de cartéis de forma sistemática, atingindo não apenas os líderes, mas também membros de escalões inferiores que são peças-chave no tráfico de drogas. A estratégia se assemelha às missões antiterroristas realizadas em outras partes do mundo.
Ataque ousado em rodovia e a participação da CIA
Um exemplo dessa nova dimensão de atuação foi a explosão que matou Francisco Beltrán, suposto membro do Cartel de Sinaloa, em março. Fontes indicaram à CNN que o ataque foi um assassinato premeditado, facilitado por agentes da CIA, que teriam instalado um dispositivo explosivo no veículo da vítima. A operação, embora mantida em sigilo pelas autoridades mexicanas, levanta sérias questões sobre a soberania do México e a legalidade de tais ações em seu território.
Legalidade e reações do México
As operações da CIA podem infringir a lei mexicana, que proíbe a participação de agentes estrangeiros em operações policiais sem autorização expressa do governo federal. O governo mexicano, através do Secretário de Segurança, Omar García Harfuch, rejeitou categoricamente qualquer versão que sugira operações letais ou secretas de agências estrangeiras em território nacional. A presidente Claudia Sheinbaum também expressou descontentamento com a presença de agentes americanos em operações sem conhecimento prévio do governo federal.
Apesar das declarações oficiais, a relação entre EUA e México na luta contra o narcotráfico é complexa. Fontes indicam que o governo mexicano pode estar em uma posição delicada, equilibrando a necessidade de cooperação com os EUA para evitar retaliações ou intervenções militares, como ameaçadas pelo presidente Donald Trump, e a manutenção de sua soberania.
Raízes da campanha e desconfiança mútua
A intensificação das operações da CIA no México tem raízes na administração Trump, que designou cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras. Isso abriu caminho para autorizações de inteligência adicionais e a revisão das opções legais para o uso de força letal. A nomeação de um ex-oficial paramilitar da CIA como embaixador dos EUA no México também reforçou essa estratégia.
A desconfiança entre os dois países é evidente. A CIA tem trabalhado mais proximamente com autoridades regionais e locais mexicanas, devido à preocupação com a infiltração de cartéis em setores do governo. Um incidente em 2012, onde policiais mexicanos emboscaram um veículo da Embaixada dos EUA, transportando agentes da CIA, serve como um lembrete constante dos riscos envolvidos nessas operações conjuntas.
O futuro das operações
A CIA, embora tenha se recusado a comentar inicialmente, posteriormente classificou a reportagem como “falsa e sensacionalista”. No entanto, as evidências apresentadas pelas fontes sugerem uma mudança significativa na abordagem americana no combate aos cartéis mexicanos. O futuro dessas operações e seu impacto na estabilidade regional e na relação bilateral permanecem incertos, com o risco de represálias por parte dos cartéis e a possibilidade de escalada da violência.