Desde a fundação por Osama bin Laden até os ataques de 11 de setembro, a Al-Qaeda busca combater a influência ocidental e estabelecer regimes fundamentalistas.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciaram nesta quarta-feira, 15 de maio, a Operação Hawala, que investiga um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro de facções criminosas. A operação já resultou na prisão de dez pessoas e movimentou pelo menos R$ 100 milhões do tráfico de drogas.
O que chamou a atenção, e trouxe a organização terrorista Al-Qaeda para o noticiário brasileiro, foi a identificação de uma possível conexão. Agentes revelaram que um integrante de uma estrutura de financiamento da Al-Qaeda estaria envolvido no esquema de lavagem de dinheiro da operação no Rio.
Diante dessa revelação, surge a pergunta: o que é a Al-Qaeda, o grupo responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001, que mudou a história mundial? Conforme informações divulgadas pelo G1, a organização tem uma trajetória complexa e objetivos claros de radicalismo islâmico.
A Origem e os Objetivos da Al-Qaeda
A Al-Qaeda, rede terrorista internacional, foi fundada por Osama bin Laden no final da década de 1980. O grupo ficou mundialmente conhecido pelos devastadores ataques de 11 de setembro de 2001, que atingiram as Torres Gêmeas em Nova York e o Pentágono.
Entre suas principais missões, a Al-Qaeda visa barrar a influência ocidental em países muçulmanos. Além disso, busca substituir os governos dessas nações por regimes fundamentalistas islâmicos, conforme detalhado na fonte.
O nome “al-Qaeda” é controverso e tem múltiplas interpretações em árabe, significando desde “base” ou “lar” até “alicerce” ou “pedestal”. O autor Jason Burke, em seu livro “al-Qaeda – A verdadeira história do radicalismo islâmico”, explica que a palavra já era usada por radicais islâmicos nos anos 80, durante a defesa do Afeganistão contra a invasão soviética.
Bin Laden e seus companheiros, inspirados pelo mentor espiritual Abdallah Azzam, formalizaram o grupo em agosto de 1988, na cidade de Peshawar, no Paquistão. Inicialmente, a palavra se referia ao papel dos voluntários não-afegãos que lutaram na guerra.
De Bin Laden ao 11 de Setembro: A Ascensão da Organização Terrorista
Após a fundação, Osama bin Laden deixou o Paquistão em 1989, retornando à Arábia Saudita. Em 1990, ele ofereceu um exército de militantes islâmicos para proteger o Iraque da invasão do Kuwait por Saddam Hussein, mas a ajuda foi recusada.
Em 1991, Bin Laden partiu novamente, desta vez para o Sudão, onde permaneceu até 1996. Foi então que ele se fixou no Afeganistão, país que viria a ser o berço de sua organização terrorista em sua forma mais conhecida, operando até 2001.
Contudo, é importante notar que, mesmo em sua fase mais organizada, a Al-Qaeda não era uma estrutura coesa com células em todo lugar, nem absorvia todos os outros grupos em suas redes. O autor Jason Burke adverte sobre essa percepção.
No Afeganistão, Bin Laden se aproximou do Talibã, outro grupo militante que havia tomado Cabul em 1996 e implantado um governo islâmico radical. O apoio do líder Talibã, Mullah Mohammed Omar, garantiu a segurança da Al-Qaeda no país.
O Talibã, embora reconhecido por poucos países, permitiu que a Al-Qaeda e outros grupos jihadistas operassem livremente, experimentando uma teocracia austera e puritana, conforme descrito por Abdel Bari Atwan em “História secreta da al-Qaeda”.
O Impacto Global dos Ataques de 11 de Setembro e a Atuação da Al-Qaeda
A manhã de 11 de setembro de 2001 marcou a história quando 19 membros da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais nos Estados Unidos. Eles lançaram dois contra as torres do World Trade Center e um contra o Pentágono, no maior atentado terrorista em solo americano.
Em resposta, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão com o objetivo de destruir as bases da organização e depor o regime do Talibã, que abrigava Bin Laden e seus seguidores. As principais lideranças da Al-Qaeda fugiram para áreas tribais no Paquistão, na fronteira com o Afeganistão.
Especialistas acreditam que a organização terrorista continua a treinar militantes nessas regiões paquistanesas. A Al-Qaeda é inclusive creditada por introduzir a prática de atentados suicidas com bombas entre membros do Talibã no Paquistão e Afeganistão.
Entre outros ataques atribuídos ao grupo, destacam-se o atentado no metrô de Madri em março de 2004, que matou 191 pessoas, e os ataques ao transporte público de Londres em julho de 2005. A organização também foi ligada ao assassinato da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Buttho.
Estrutura Descentralizada e a Morte de Osama bin Laden
Devido à sua organização descentralizada, é difícil determinar o número exato de membros da Al-Qaeda. Os Estados Unidos estimam que a organização possua centenas ou até milhares de militantes espalhados por diversos países, com uma concentração de lideranças no Paquistão.
Um relatório do Departamento de Estado dos EUA de 2008 indicou que a rede terrorista incorporava membros de outros grupos no Oriente Médio, sul da Ásia, África, Europa e Ásia Central. Esses grupos, segundo o relatório, continuavam a planejar ataques contra os Estados Unidos e outras nações ocidentais.
O líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, foi morto por militares dos EUA em 2 de maio de 2011, em uma operação no Paquistão. Sua morte representou um golpe significativo para a organização, mas não o fim de suas atividades.
A operação no Rio de Janeiro, ao revelar uma possível conexão com um financiador da Al-Qaeda, destaca a persistência e a adaptabilidade da organização terrorista, que continua a ser uma preocupação global, mesmo décadas após sua fundação e os eventos de 11 de setembro.