Diagnóstico preocupante: Produtividade em queda há décadas
A economia brasileira enfrenta um desafio crônico: a baixa produtividade. Dados recentes do FGV Ibre revelam uma queda de 0,5% na produtividade por hora trabalhada no primeiro trimestre do ano, um reflexo de uma tendência que se arrasta por décadas e compromete a competitividade do país no cenário global. Especialistas apontam a formação da mão de obra e a estagnação de setores importantes como os principais vilões dessa performance pífia.
Agro em alta, indústria e serviços na UTI
Enquanto o agronegócio brasileiro tem demonstrado crescimento consistente em sua produtividade nas últimas três décadas, a indústria e o setor de serviços permanecem estagnados. Essa disparidade é ainda mais preocupante quando se considera que os serviços possuem um peso maior no Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A consultora econômica Tatiana Pinheiro, da FGV-EESP, explica que o desempenho positivo do agro, quando somado à inércia dos demais setores, resulta no quadro geral de baixa produtividade apontado pelo Ibre.
Gargalos estruturais e a queda no ranking mundial
A competitividade de uma nação é um reflexo do seu ambiente institucional, econômico e estrutural. No Brasil, diversos gargalos comprometem essa capacidade. Carlos Honorato, da FIA Business School, destaca a deficiência na formação básica e profissional das pessoas, especialmente em conhecimentos de matemática e linguagem, como um fator limitante. Além disso, a taxa de juros elevada desestimula o investimento produtivo, a alta informalidade dificulta a qualificação da mão de obra e problemas logísticos e tributários adicionam mais entraves. O resultado dessa combinação é uma queda expressiva no ranking internacional de competitividade: o Brasil perdeu sete posições e agora figura em 65º lugar entre 70 economias avaliadas.
Lições dos líderes: Estratégia e qualificação
Países que lideram o ranking de competitividade, como Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos, compartilham uma característica fundamental: uma visão estratégica de longo prazo. Honorato ressalta que nações como Suíça e Taiwan investem pesadamente em processos eficientes e na formação de profissionais altamente qualificados. Para Tatiana Ribeiro, os pontos cruciais que levaram à queda do Brasil no ranking foram o custo de capital, a fragilidade institucional e, principalmente, a qualidade da força de trabalho. A pesquisa aponta a mão de obra como o grande ponto de atenção para reverter o quadro de baixa produtividade e recuperar a competitividade brasileira.