Presidente desabafa e denúncias reacendem disputa no Carnaval

Entre acusações de favorecimento e relatos de abandono, escolas do Acesso e veteranas expõem desigualdades e pressões nos bastidores do samba.

Os bastidores do Carnaval vêm sendo expostos com força nos últimos dias. Em diferentes episódios um recente e outro do último desfile dirigentes de escolas de samba usaram o microfone não para exaltar o samba, mas para denunciar o que consideram injustiças estruturais, pressões e disparidades gritantes entre agremiações.

Porto da Pedra: desabafo em tom de revolta

No mini-desfile realizado recentemente, o presidente da Porto da Pedra, Fábio Montebello, falou com franqueza sobre as dificuldades enfrentadas pelas escolas do Grupo de Acesso.

Segundo ele, até o momento, nenhum repasse financeiro foi feito para as agremiações desse segmento mesmo assim, elas mantêm viva a tradição do samba.

Ele denunciou a falta de estrutura: sem barracão, sem recursos, sem apoio e quando os dirigentes se manifestam em busca de seus direitos, afirmam sofrer pressões e até ameaças. “Temo que a verba só vá para eles”, disse Montebello, “mas eu não tenho medo dessas porras não. A gente resiste.”

Para ele, o carnaval não pode ser decidido pelo dinheiro, mas por sangue, comunidade, esforço e história: “Nenhuma escola do Especial é melhor do que a gente. Aqui corre sangue, porra.”

União de Maricá: acusações de favorecimento e influência política

Separadamente, no desfile passado, dirigentes veteranos criticaram duramente a União de Maricá.

Segundo os relatos, há suspeitas de que a escola apoiada pela prefeitura de Maricá estaria utilizando influências políticas e recursos públicos para tentar garantir sua ascensão ao Grupo Especial de forma antecipada.

Em declarações fortes, foi dito que “se fosse por dinheiro, era só passar três carros-fortes aqui que ganhava o carnaval”.

A crítica é clara: samba não se compra. Também foi ressaltado que a União de Maricá, por ser novata, não reúne a tradição, a idade nem o acervo de sambas clássicos de escolas consagradas.

Além disso, dados públicos reforçam a suspeita: em 2026, a prefeitura de Maricá liberou para a escola uma subvenção de R$ 8 milhões o mesmo valor registrado nos últimos anos por meio de inexigibilidade de licitação.

O montante, apontam críticos, coloca a agremiação numa posição de vantagem frente às demais, gerando questionamentos sobre igualdade de condições na disputa.

O retrato mais amplo: carnaval sob influência

Apesar de diferentes cronologias e contextos, as duas denúncias traçam um retrato preocupante: o carnaval, que já foi símbolo de comunidade e resistência, corre o risco de se transformar num jogo de poder, dinheiro e influência com resistência e tradição sendo esmagadas por bastidores obscuros.

A disparidade entre quem luta com pouco e quem desfila com apoio pesado chama a atenção para a necessidade urgente de transparência, fiscalização e igualdade de oportunidades.

Para que o samba fale alto mas sem que a corda da honestidade arrebente.