Irã na ONU gera polêmica: EUA acusa ‘afronta’ ao tratado nuclear e Teerã rebate com críticas a Washington
Escolha do país para integrar conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) acirra embate diplomático em Nova York, com acusações mútuas sobre compromissos nucleares.
A 11ª conferência para revisar a implementação do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), um acordo global que visa conter a disseminação de armas atômicas desde 1970, começou nesta segunda-feira (27) na sede das Nações Unidas, em Nova York, marcada por um acirrado embate entre Estados Unidos e Irã. A escolha do Irã para integrar o grupo de vice-presidentes da conferência, indicada pelo “grupo de Estados não alinhados e outros Estados”, foi classificada pelos EUA como uma “afronta” ao próprio TNP.
EUA classifica escolha do Irã como “afronta” e “constrangimento”
Christopher Yeaw, secretário-adjunto do Escritório de Controle de Armas e Não Proliferação dos EUA, declarou na conferência que a presença iraniana é “indiscutível” em seu “desprezo pelos compromissos de não proliferação do TNP”. Ele apontou a recusa do Irã em cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para resolver questões sobre seu programa nuclear, qualificando a decisão como “mais do que vergonhosa e um constrangimento para a credibilidade desta conferência”.
Irã rebate acusações e critica papel dos EUA
Em resposta, Reza Najafi, embaixador do Irã junto à AIEA, rejeitou as declarações americanas como “infundadas e politicamente motivadas”. Ele argumentou que é “indefensável” que os Estados Unidos, “o único Estado a ter usado armas nucleares e o que continua a expandir e modernizar seu arsenal nuclear”, se posicione como “árbitro do cumprimento do acordo”. A tensão nuclear entre EUA e Irã tem sido um ponto central no conflito de dois meses entre as nações, com o presidente americano Donald Trump reiterando que o Irã “jamais poderá ter uma arma nuclear”.
O que é o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP)?
O TNP, que entrou em vigor em 1970 e conta com 191 Estados signatários, incluindo as cinco potências nucleares reconhecidas (China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos), tem como objetivos principais impedir a disseminação de armas nucleares, promover a cooperação no uso pacífico da energia nuclear e alcançar o desarmamento nuclear global. Os países com armas nucleares se comprometem a não transferi-las, enquanto os não nucleares se obrigam a não fabricar ou adquirir tais armamentos e a aceitar salvaguardas da AIEA para verificar o uso pacífico da energia nuclear.
Proposta iraniana e reunião da Casa Branca
Em meio às discussões, fontes iranianas divulgaram uma nova proposta de Teerã para encerrar o conflito, que incluiria a suspensão das discussões sobre o programa nuclear iraniano até o fim da guerra e a resolução de disputas marítimas no Golfo. Paralelamente, a Casa Branca informou que o presidente Trump e seus assessores de segurança nacional se reuniram para discutir o conflito, com a porta-voz Karoline Leavitt afirmando que “as linhas vermelhas do presidente em relação ao Irã foram deixadas muito, muito claras”.