Panorama da doença no estado
A Secretaria de Estado de Saúde (SEAS-RJ) confirmou 14 casos de febre maculosa em território fluminense até o dia 9 de agosto de 2026. Deste total, quatro pacientes não resistiram à infecção. O óbito mais recente foi registrado em São Fidélis, envolvendo um veterinário de 30 anos. Além disso, mortes foram notificadas em Itaperuna e Campos dos Goytacazes, evidenciando uma maior incidência nas regiões Norte e Noroeste do estado.
Sintomas e desafios do diagnóstico
A febre maculosa é causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pela picada de carrapatos infectados. O grande desafio médico reside na semelhança dos sintomas iniciais com quadros de gripe ou dengue, como febre, dor de cabeça e dores no corpo. A partir do terceiro dia, costumam surgir manchas características, principalmente nas palmas das mãos e solas dos pés. A pesquisadora da Fiocruz, Elba Lemos, ressalta que o agravamento do quadro ocorre rapidamente após o quinto dia, tornando o tratamento intravenoso indispensável.
Por que a letalidade ainda é alta?
Especialistas da Fiocruz apontam que a letalidade, que atinge 28% neste ano, está diretamente ligada ao atraso no diagnóstico. Muitas vezes, o paciente não retorna para uma segunda consulta, o que impede a intervenção médica em tempo hábil. A orientação aos profissionais de saúde, especialmente nas regiões de maior risco como Macaé, Italva e Porciúcula, é que o tratamento seja iniciado prontamente, antes mesmo da confirmação laboratorial, dado que a letalidade pode se tornar irreversível em estágios avançados.
Prevenção e transmissão
A transmissão ocorre através do carrapato infectado, que pode portar a bactéria por todo o seu ciclo de vida, que dura entre 18 e 36 meses. No Brasil, duas cepas são as principais responsáveis: a Rickettsia rickettsii, mais comum no Sudeste, e a Rickettsia sp. cepa Mata Atlântica, que geralmente apresenta sintomas mais brandos. A recomendação principal é evitar áreas de risco, utilizar roupas claras que facilitem a visualização de carrapatos e realizar a inspeção do corpo após atividades em áreas rurais ou de mata.