Filme ‘Girls Like Girls’ de Hayley Kiyoko: Uma Jornada de 10 Anos por Representatividade Lésbica no Cinema

A Longa Espera por Visibilidade

Hayley Kiyoko, conhecida por sua música que se tornou um hino para a comunidade sáfica, compartilhou os bastidores da produção de seu longa-metragem, ‘Girls Like Girls’. O filme, que estreou nos cinemas norte-americanos nesta sexta-feira (19), é uma realização de um sonho que levou uma década para se concretizar. A inspiração veio da própria música homônima de Kiyoko, lançada em 2015, cujo videoclipe alcançou mais de 163 milhões de visualizações no YouTube, ressoando profundamente com o público.

Da Música ao Cinema: Um Chamado por Histórias

O sucesso da música e do videoclipe de ‘Girls Like Girls’ não foi apenas um marco musical, mas também um catalisador para a visão cinematográfica de Kiyoko. A cantora relatou que, após o lançamento do clipe, recebeu inúmeros comentários de fãs expressando o desejo de ver histórias como aquela representadas em filmes. “Eu queria poder assistir a um filme como este. Pensei comigo mesma: nunca consegui assistir a um filme assim antes”, disse Kiyoko em entrevista à Variety. Essa constatação plantou a semente para um projeto ambicioso, que enfrentou a resistência da indústria por dez anos.

Desafios e a Luta pela Representatividade Mainstream

Kiyoko destacou a dificuldade em convencer a indústria cinematográfica de que histórias protagonizadas por mulheres queer negras não são nicho, mas sim parte do mainstream. “Somos milhões, e merecemos ter histórias que possamos contar nos dedos de uma mão”, afirmou a artista, ressaltando a necessidade urgente de maior diversidade e inclusão nas narrativas exibidas nas telas. O filme, que retrata a história de uma adolescente que se apaixona por sua melhor amiga, busca preencher essa lacuna, oferecendo uma representação autêntica de um romance lésbico.

Autenticidade e Identidade na Tela

A diretora, que é nipo-americana, fez questão de que a representatividade fosse um pilar fundamental na escolha do elenco e na condução da história, que é baseada em suas próprias experiências. “Se eu não me conectasse com a história, tínhamos que ajustar ou mudar para garantir que eu me visse nela, e eu tinha que confiar que minha experiência pudesse ressoar com outras pessoas”, explicou Kiyoko. Ela também enfatizou a importância de discutir a orientação sexual como parte integrante da identidade, reconhecendo as dificuldades enfrentadas por pessoas queer em busca de aceitação e famílias escolhidas diante de um amor muitas vezes condicional.

‘Girls Like Girls’ no Brasil

Enquanto o filme já está em cartaz nos Estados Unidos, ainda não há previsão de estreia no Brasil. A expectativa é que a chegada de ‘Girls Like Girls’ aos cinemas possa inspirar mais produções e abrir portas para que outras vozes e narrativas queer sejam contadas e celebradas no cinema mundial.