Flávio Bolsonaro se diz ‘aberto’ a Michelle e aposta na união do PL para 2026, defendendo Pix e atacando taxação americana

Senador do PL expressa desejo de reaproximação com a ex-primeira-dama para superar divergências e fortalecer o partido visando às próximas eleições.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (9) estar aberto a conversar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ele demonstrou um claro desejo de reconciliação, aguardando o tempo que ela julgar necessário para retornar à campanha eleitoral.

A declaração ocorre em um momento de tensões públicas entre os dois, que expuseram divergências significativas dentro da família Bolsonaro e do próprio Partido Liberal. A busca pela união do PL é vista como crucial para o futuro político da legenda.

Com a convenção nacional do partido se aproximando, a reconciliação é defendida pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Além das questões internas, o senador também abordou temas de impacto nacional e internacional, como a defesa do Pix e a crítica à taxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos, conforme informações divulgadas.

Crise e Reconciliação Familiar no PL

A tensão entre Michelle e Flávio Bolsonaro veio a público no fim de junho, quando a ex-primeira-dama divulgou vídeos nas redes sociais. Neles, ela afirmava ter sido “maltratada”, “humilhada” e desrespeitada pelo senador durante uma discussão sobre articulações políticas do PL no Ceará.

Michelle relatou que os dois não se falam desde o fim de 2025, uma data que aponta para um longo período de desentendimento. Ela interpretou que seu apoio à pré-candidatura de Flávio não era desejado, afirmando: “Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante”.

Após a repercussão dos vídeos, Flávio Bolsonaro pediu desculpas publicamente, assegurando que está de “coração aberto” para conversar. O senador enfatizou que não teve intenção de ofendê-la e reconheceu a importância de Michelle para o partido e para o cenário político.

Apesar do pedido de desculpas, Michelle continuou a fazer críticas indiretas nas semanas seguintes, culminando em sua saída da presidência do PL Mulher em meio à crise. A situação gerou preocupação dentro do partido, levando o presidente Valdemar Costa Neto a defender a reconciliação antes da convenção de 25 de julho, afirmando que “não podemos sair brigando dentro de casa”.

Engajamento na Campanha e Críticas ao Governo

Flávio Bolsonaro deu suas declarações no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, após retornar de uma viagem aos Estados Unidos. Ele reforçou a importância da união para o cenário político nacional.

“Eu estou sempre aberto aqui a conversar, né? Sempre esperando o tempo que ela [Michelle] achar que é o suficiente pra ela estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim”, disse o senador, sublinhando a necessidade de colaboração.

Ele também expressou uma visão alinhada à da ex-primeira-dama sobre o futuro político do país: “Ninguém aguenta mais quatro anos de PT. O Brasil não aguenta mais quatro anos de PT, e no final das contas, tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil, que é o atual governo.”

Viagem aos EUA e Defesa contra Tarifas

Durante sua fala, Flávio Bolsonaro também detalhou sua recente viagem aos Estados Unidos. O objetivo principal foi tentar barrar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, em um processo que ele chamou de “tarifaço”.

O senador participou de uma audiência pública, onde defendeu a não imposição de novas taxas às empresas brasileiras. “Eu fui pedir o cancelamento desse processo de tarifação no Brasil pelas razões técnicas e também pelas razões políticas que eu expus lá pessoalmente na defesa oral”, explicou.

Ele afirmou ter se encontrado anteriormente com o ex-presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio para tratar do assunto. “Eu pessoalmente pedindo para que não houvesse a tarifação sobre empresas brasileiras. Não há necessidade nenhuma de impor mais essa sobretarifa de 25%, vai ser ruim para as empresas brasileiras e também vai ser muito ruim para os consumidores americanos”, argumentou.

Flávio criticou a ausência de representantes do Executivo federal nas audiências americanas. “Não vi nenhum representante sequer do governo brasileiro para defender o Brasil e os interesses da nossa nação brasileira”, declarou, embora o governo federal tenha enviado observadores.

A Importância do Pix para o Brasil

Questionado sobre a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos, que incluiu críticas ao Pix, Flávio Bolsonaro foi enfático na defesa do sistema de pagamentos instantâneos. Ele afirmou que o Pix deve ser preservado, destacando seu valor para a população.

“O Pix é bom para o Brasil e, por incrível que pareça, é bom também para os Estados Unidos. Então essa parte do Pix, especificamente, eu acho que não tem nenhuma dúvida de que tem que permanecer como está porque é patrimônio do povo brasileiro e eu fui lá defender com unhas e dentes”, disse o senador.

A discussão sobre o Pix ganhou repercussão após declarações de Eduardo Bolsonaro (PL), que sugeriu que o tema poderia ser incluído em negociações entre Brasil e Estados Unidos. Ele citou o Zelle, um sistema privado de pagamentos dos EUA, defendendo uma mesa de negociação entre os dois países.

Autoridades dos EUA, em documentos sobre disputas comerciais, alegam que o modelo brasileiro favorece um sistema operado pelo Banco Central e poderia prejudicar concorrentes privados. Contudo, o governo brasileiro e entidades do setor financeiro contestam essa avaliação, reforçando a relevância do Pix para a economia nacional.