Investigação da PF revela detalhes de contrato milionário entre escritório de esposa de Moraes e Banco Master

Detalhes do contrato e valores milionários

A Polícia Federal identificou que o contrato firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o liquidado Banco Master estipulava pagamentos mensais de R$ 3,64 milhões. O documento, datado de janeiro de 2024, previa uma consultoria estratégica e jurídica abrangente, incluindo atuação em inquéritos policiais, procedimentos administrativos perante órgãos como o Banco Central e a Receita Federal, além de processos judiciais em todas as instâncias.

Prioridade e pagamentos sem nota

Mensagens extraídas de aparelhos celulares de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, revelam que o contrato era tratado como uma prioridade absoluta dentro da instituição. Em comunicações com uma funcionária, Vorcaro solicitava rigor no controle dos pagamentos, chegando a afirmar que as transferências deveriam ser realizadas independentemente da existência de notas fiscais ou da disponibilidade imediata de caixa, reforçando a importância estratégica que o empresário atribuía à parceria.

Envolvimento de Alexandre de Moraes na edição

Um ponto que gerou repercussão foi a revelação, por meio de metadados, de que o ministro Alexandre de Moraes realizou edições na versão final do contrato. O escritório Barci de Moraes confirmou o acesso, justificando que a consulta foi solicitada pelo setor de compliance para verificar possíveis impedimentos legais. A defesa da banca ressaltou que o ministro nunca julgou processos envolvendo o Banco Master e que, portanto, não haveria conflito de interesses na prestação dos serviços.

Desdobramentos e encerramento

O contrato permaneceu vigente até novembro de 2025, quando foi interrompido após a liquidação extrajudicial do Banco Master e a prisão de Vorcaro. Ao todo, foram pagas 22 parcelas, totalizando R$ 80,2 milhões. O escritório de Viviane Barci ainda esclareceu que, embora houvesse uma proposta de contrato com a Viking Participações — também ligada a Vorcaro — no valor de R$ 50 milhões, o documento jamais foi assinado ou aceito pela banca.