PF investiga advogado Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro em apostas bilionárias

A Polícia Federal (PF) abriu uma investigação para apurar se o advogado Willer Tomaz de Sousa utilizou casas de apostas online como ferramenta para lavagem de dinheiro. Documentos obtidos em um processo judicial revelam que, entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o advogado movimentou a cifra astronômica de R$ 6,6 bilhões em uma única plataforma, a Blaze.

Movimentação bilionária e a tese de ludopatia

O caso veio à tona após a defesa de Tomaz ajuizar uma ação contra a casa de apostas, solicitando a restituição de valores perdidos. Segundo os advogados, o cliente foi diagnosticado com ludopatia — transtorno caracterizado pela perda de controle sobre o impulso de jogar. Nos autos, a defesa sustenta que o advogado realizou 2.145 depósitos, somando R$ 325 milhões em aportes diretos, que eram reaplicados sucessivamente até atingir o volume bilionário.

O contra-argumento da Blaze

A casa de apostas contesta a classificação de “prejuízo” apresentada pela defesa. Em manifestação ao processo, a empresa argumentou que a conta funcionou como uma espécie de conta corrente, com múltiplas entradas e saídas diárias. Para a plataforma, somar os débitos e ignorar os créditos não reflete a realidade financeira da conta, tratando-se apenas de uma movimentação operacional intensa.

Estrutura de apostas e limites questionados

Os detalhes do processo indicam que o advogado concentrava suas apostas em mesas de cassino online, onde eram permitidos lances de até R$ 500 mil em rodadas de curta duração. A defesa critica a estrutura da plataforma, apontando que, enquanto o depósito era facilitado, o saque enfrentava travas sistêmicas. Em um dos episódios relatados, o advogado teria tentado retirar R$ 1,6 milhão em frações, sendo bloqueado pelo sistema após atingir os limites operacionais.

Histórico do investigado

Willer Tomaz já é conhecido no radar das autoridades. Ele foi alvo da Operação Sem Desconto, que investigou fraudes em aposentadorias do INSS e esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT). A PF descreve o advogado como uma figura central na sustentação financeira e patrimonial do parlamentar. Tomaz também possui antecedentes, tendo sido preso em 2017 por suspeita de interferência em investigações da Operação Greenfield.