PL dos Minerais Críticos: Incentivos Fiscais Premiarão Empresas que Agregarem Mais Valor ao Brasil

Relatório prevê modelo de benefícios fiscais progressivos para empresas que avançarem na cadeia produtiva dos minerais críticos. Texto será apresentado nesta segunda-feira (4) e votado ainda nesta semana.

O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), relator da Política Nacional de Minerais Críticos, apresentará nesta segunda-feira (4) um relatório que propõe um sistema de incentivos fiscais escalonados. A ideia é que o grau de agregação de valor dos minerais em território nacional determine o montante do benefício concedido. Quanto maior a transformação mineral realizada no Brasil, maior poderá ser o incentivo fiscal previsto no novo marco legal.

Proposta visa premiar a indústria nacional e evitar exportação de matéria-prima

A lógica por trás da proposta é clara: recompensar as empresas que vão além da simples extração mineral. Projetos que se limitarem à mineração receberão menos benefícios do que aqueles que avançarem para a produção de concentrados. Iniciativas que evoluírem para etapas mais sofisticadas, como a fabricação de carbonato misto, a separação de óxidos individuais (como neodímio e praseodímio) ou a produção de insumos industriais como ligas e ímãs permanentes, poderão ter acesso a incentivos ainda maiores. A avaliação é que o Brasil precisa aproveitar a janela global de reorganização das cadeias de minerais críticos para ocupar etapas de maior valor econômico e tecnológico, alinhando-se à visão do governo federal de agregar valor à base mineral do país.

Pacote de Medidas Abrange Incentivos Fiscais, Financiamento e Governança

Além do benefício fiscal escalonado, o relatório deve incluir um conjunto mais amplo de instrumentos para estimular o setor. Entre as medidas previstas estão a isenção de Imposto de Renda sobre remessas ao exterior por uso de marcas e patentes, a inclusão das atividades de pesquisa e transformação mineral nos benefícios da Lei do Bem, a ampliação do Reidi para projetos de lavra e transformação, e a criação de um regime aduaneiro especial para importação de bens destinados à cadeia mineral. A proposta também contempla a criação de um fundo garantidor para projetos de minerais críticos e estratégicos, visando reduzir o risco financeiro de empreendimentos intensivos em capital e facilitar o acesso a crédito, especialmente nas fases iniciais.

Criação de Conselho e Cadastro Nacional para Otimizar a Política de Minerais Críticos

Outro eixo importante do relatório é a criação do Conselho de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE). Este órgão será responsável por orientar a política nacional do setor, definir substâncias prioritárias e direcionar instrumentos de financiamento e incentivos. A ideia é centralizar a coordenação entre governo, setor produtivo e instituições técnicas. Adicionalmente, será criado um cadastro nacional de projetos de minerais críticos e estratégicos, reunindo informações sobre empreendimentos reconhecidos pelo CMCE e localizados em áreas estratégicas. Essa ferramenta visa reduzir a sobreposição burocrática, agilizar a formulação de políticas públicas e aumentar a previsibilidade para investidores, funcionando como um “raio-x” dos projetos minerais considerados essenciais para o país. A iniciativa busca transformar a política de minerais críticos em uma agenda de Estado, combinando planejamento, financiamento, incentivos fiscais e agregação de valor para evitar que o Brasil se limite à exportação de matérias-primas em um contexto global de disputa por insumos essenciais para a transição energética, defesa e tecnologia.