Porto do Açu Ganha Destaque Estratégico em Meio à Crise Energética Global
A escalada das tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, está provocando uma reconfiguração significativa no mercado global de energia. Como resultado, o Porto do Açu, localizado no Rio de Janeiro, tem registrado um aumento de aproximadamente 25% em suas operações ligadas à exportação de petróleo. Segundo Rogério Zampronha, CEO da Prumo Logística, empresa responsável pela operação do terminal, esse cenário acelera a reestruturação das cadeias energéticas mundiais e reforça a posição do Brasil como um fornecedor estratégico.
Impactos Comparáveis aos Choques de 1970
Zampronha compara os atuais impactos da crise no mercado de energia aos choques do petróleo da década de 1970. Ele acredita que os conflitos em andamento têm potencial para gerar mudanças permanentes nas cadeias globais de suprimentos. Neste contexto, o Porto do Açu, controlado pela Prumo Logística e com acionistas como os fundos EIG, Mubadala e o Porto de Antuérpia-Bruges International, assume uma posição de relevância estratégica. Atualmente, quase 40% de todo o petróleo cru exportado pelo Brasil tem origem no terminal fluminense.
Recordes de Movimentação e Potencial de Expansão
O crescimento na produção de petróleo na Bacia de Campos tem sido um motor fundamental para o aumento da movimentação no terminal da Prumo, conhecido como Vast. “Todos os meses estamos batendo recorde no nosso terminal de petróleo, a Vast, com 1 milhão de barris por dia”, afirma Zampronha. Ele destaca que o Porto do Açu se torna a principal alavanca logística para a exploração e exportação de petróleo no Brasil, com relevância global, uma vez que suas exportações alcançam Ásia, Estados Unidos e Europa. O terminal possui licenciamento para movimentar até 1,2 milhão de barris por dia, com potencial de expansão para 1,8 milhão, indicando que há espaço para um crescimento adicional de 800 mil barris diários, se necessário.
O “Prêmio Estrutural de Segurança” e a Busca por Novos Fornecedores
A instabilidade no Oriente Médio, que afeta o fluxo de cerca de 20% do petróleo consumido globalmente pelo Estreito de Ormuz, além de impactar outras cadeias estratégicas, levou o mundo a uma nova fase. Zampronha a define como um “prêmio estrutural de segurança”, onde países e corporações estão dispostos a arcar com custos mais elevados para assegurar fornecedores alternativos e evitar disrupções completas nas cadeias de suprimentos. A energia mais barata que tradicionalmente passava pela região de Ormuz não está mais garantida, o que acelera a busca por novos fornecedores de hidrocarbonetos e fortalece o papel do Brasil no mercado internacional. O executivo considera que a crise atual pode ter efeitos mais abrangentes globalmente do que a combinação da pandemia de Covid-19 e da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Brasil como Nova Fronteira Energética
Zampronha relembra os choques do petróleo dos anos 1970, que impulsionaram o Brasil a desenvolver o Proálcool e se tornar referência mundial em biocombustíveis. Ele vê um movimento semelhante começando agora, com a aceleração de projetos voltados para a produção de novos combustíveis e fontes alternativas de energia. A Prumo avalia que o cenário internacional posiciona o Brasil de forma privilegiada para se consolidar como uma nova fronteira global de segurança energética, tanto no mercado de hidrocarbonetos quanto no de energias renováveis.