A postura firme do vereador Marcelo “Moto Som”, em Mercês (MG), ao expor publicamente R$ 100 mil que, segundo ele, teriam sido oferecidos numa tentativa de compra de voto, reacendeu um debate de alcance nacional: o Brasil precisa urgentemente de vereadores que exerçam a função essencial para a qual foram eleitos fiscalizar o Executivo.
O episódio, amplamente divulgado e registrado de forma oficial, evidencia o peso que um único parlamentar comprometido pode ter na vida pública.
E esse exemplo ganha ainda mais destaque quando comparado ao cenário vivido em Maricá, onde a maior parte do Legislativo permanece distante da função fiscalizatória, apesar de ser esse o principal pilar de um mandato municipal.
Em Maricá, um único vereador tem apresentado denúncias acompanhadas de documentos, vídeos, protocolos e registros oficiais.
Entre esses materiais, está a denúncia sobre a alimentação servida às crianças da rede municipal onde, segundo o vereador, a refeição se resumia a arroz com ovo, mesmo com o alto volume de recursos públicos destinados à educação.
Enquanto isso, questões estruturais da cidade se acumulam diante de um governo que, segundo críticas recorrentes de moradores e de representantes da sociedade civil, age sem ouvir o colegiado legislativo e sem dialogar com a população.
Na prática, diversos projetos vêm sendo anunciados através de placas e inaugurações de terrenos ainda vazios, num ritmo que muitos apontam como descolado da realidade das necessidades imediatas da cidade.
A consequência aparece de forma evidente:
um ano de paralisia, ausência de entregas concretas e políticas públicas que não refletem a urgência da vida cotidiana das famílias maricaenses.
O silêncio da maioria da Câmara, particularmente diante de denúncias documentadas, gera na população a sensação de abandono institucional.
Se a função fiscalizatória fosse exercida de maneira ampla e coletiva como determina a Constituição Maricá não estaria submetida à concentração de decisões nas mãos do Executivo, sem a contraposição necessária para garantir transparência, equilíbrio e respeito aos recursos públicos.
Não se trata de acusar, mas de constatar:
quando os vereadores não fiscalizam, o prefeito governa sem limites democráticos; quando a Câmara se cala, a cidade perde a voz.
O exemplo vindo de Mercês demonstra que coragem política não é exceção: é obrigação.
E serve como lembrete para todo o país inclusive para Maricá de que a democracia local só se fortalece quando aqueles que deveriam fiscalizar realmente cumprem o papel para o qual foram eleitos.